O escritório do gerente do shopping era muito amplo, porém, naquele momento, o ar parecia rarefeito.
Henrique mal conseguia respirar e olhava, chocado, para a jovem que o segurava pela orelha.-
A moça tinha uma beleza marcante, com olhos amendoados de formato levemente arredondado no canto interno, que brilhavam intensamente quando sorria.
No entanto, quando se irritava, aqueles olhos pareciam lançar fogo, e toda vez que Henrique os via assim, sentia um medo instintivo!
Como agora.
No entanto, naquele instante, o medo fora suprimido pelo choque; ele não conseguia acreditar no que estava acontecendo diante de seus olhos.
O Sr. Alves também parecia ter dificuldades para respirar, arregalando tanto os olhos que pareciam duas moedas de cobre!
Que audácia dessa mulher.
Como ousava puxar a orelha do presidente!
Por acaso ela achava que era quem?
“Solte o nosso presidente!”
O Sr. Alves gritou e estendeu a mão para afastar Alessandra com força.
Porém, antes que pudesse tocar nela, uma mão segurou seu braço, e uma voz gélida ecoou acima de sua cabeça.
“Saia imediatamente!”
O Sr. Alves, incrédulo, ergueu a cabeça e apontou para si mesmo: “Sair? Hein? Eu?”
A assessora especial quase riu, puxando-o para fora rapidamente: “E quem mais seria? Vamos logo!”
Ela sabia que o presidente precisava conversar a sós com aquela garota.
Se sua memória não lhe falhava, aquela jovem era a irmã do presidente.
Ela começara seu estágio na Sol e Lua no terceiro ano da universidade, iniciando como assistente comum, e em quatro anos, tornara-se uma assessora especial de destaque.
Certa vez, o presidente havia bebido demais e ela o levou para casa.
Apontando para uma foto no criado-mudo, ele, com os olhos marejados, dissera: “Esta é minha irmã. Bonita, não é? Mas ela faleceu há muito tempo.”
Portanto, a situação era extremamente estranha, mas ela não faria perguntas.
O segurança, que chegara correndo e ofegante, ficou surpreso!
Como assim, era o gerente quem estava sendo expulso?
Era como se o mundo estivesse de cabeça para baixo!
A porta do escritório foi fechada, e a dor na orelha de Henrique era bastante nítida.
Seus olhos começaram a se encher de lágrimas, e sua voz saiu embargada: “Irmã?”
A irmã que havia falecido há onze anos reaparecera subitamente.
Seria verdade?
A voz lhe soara um pouco familiar, mas ele não refletira sobre isso.
Afinal, ninguém acreditaria que alguém morto há onze anos pudesse voltar à vida!
Levantou-se, caminhou até a porta, abriu-a e olhou para o Sr. Alves, que estava do lado de fora: “Cancele o fechamento e volte ao atendimento normal.”
Antes que o Sr. Alves pudesse ver o rosto de Henrique direito, a porta foi novamente fechada.
Ele piscou e olhou para a assessora especial: “Amanda, acho que vi os olhos do Sr. Figueira marejados.”
A assessora manteve a expressão séria: “Você se enganou. Avise imediatamente todos para cancelarem o fechamento!”
O Sr. Alves não conseguia entender quem era aquela garota para o presidente, mas não hesitou em avisar no grupo e pelo rádio, comunicando todos os seguranças.
“Irmã, você quer dizer que veio do passado, de onze anos atrás?”
Henrique, ainda surpreso, continuava a abanar Alessandra.
O terço preto de contas de madeira em seu pulso balançava suavemente.
Alessandra achava difícil esconder aquilo.
Onze anos haviam se passado, mas ela ainda parecia exatamente como no dia em que morreu, então teve que dizer a verdade.
“Sim, você não percebeu que estou vestida exatamente com as roupas do dia em que morri?”
Henrique olhou atentamente para ela, seus olhos perderam o brilho. “Sim, era o que você escolheu para sair com Fausto naquele dia.”
Ele jamais esqueceria aquele dia.
Naquele dia, ela experimentou vários vestidos em casa e perguntou qual ele achava mais bonito.
Ele não aceitava que a irmã estivesse apaixonada, então respondeu sem pensar: “Nenhum está bom!”

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