Depois de terem consumido quase tudo e jantado, Alessandra, Amanda e Henrique voltaram juntos para a casa de Henrique.
No caminho, Amanda aproveitou cada oportunidade para discutir algumas questões de trabalho com Henrique.
Alessandra permaneceu observando com curiosidade a Celestina do Sol renovada pela janela do carro.
Onze anos haviam se passado e as mudanças eram enormes, a ponto de ela não reconhecer muitos lugares.
Como já tinha certa dificuldade de orientação, quando o carro parou e ela ficou em frente à mansão, Alessandra franziu a testa.
“Você reformou completamente a mansão da família?”
Antes, a mansão tinha um jardim e uma enorme fonte em frente.
Agora, a mansão estava solitária, parecendo um gigante silencioso.
Henrique desceu com as coisas do carro, a voz um pouco grave. “Não, esta é uma nova mansão que comprei.”
Alessandra refletiu, afinal, Henrique agora era um grande empresário.
“E a mansão antiga? Você deixou para o Guilherme morar?”
“Também não. Aquela mansão... já foi vendida.”
O semblante de Henrique não era dos melhores. Mudou de assunto. “Depois ligo para o Guilherme e aviso que você voltou.”
A porta da mansão se abriu, revelando um ambiente minimalista, como Alessandra já esperava.
Quase sem móveis, o espaço era amplo e solene.
“Guilherme está em Celestina do Sol agora?” Alessandra perguntou.
Henrique largou as coisas na sala de estar. “Não, ele está no exterior, fazendo uma turnê.”
Alessandra piscou. “Então não conte a ele que voltei, senão ele abandona a turnê e volta voando. Deixe para contar quando ele retornar.”
Ele já era um artista controverso; se causasse mais um escândalo, perderia fãs ainda mais rápido!
Henrique não insistiu.
Quando eram pequenos, os três irmãos sempre disputavam para se destacar diante da irmã.
Guilherme era o mais animado, sempre conseguia alegrar a irmã.
Agora que só restava ele como escudeiro da irmã, poderia se esforçar para agradá-la!
“Está bem, entendi.”
“Por que a mansão da família foi vendida?”
Alessandra se jogou no sofá e voltou ao assunto.
O sonho que tivera dava apenas uma ideia geral, ela desconhecia muitos detalhes do romance.
Amanda aproveitou para sair, dizendo: “Sr. Figueira, vou atender uma ligação.”
Henrique assentiu, sentou-se no sofá e começou a girar o terço entre os dedos. “Gabriel tomou a empresa da família depois que você foi embora. Quando estava à beira da falência, ele veio me procurar para administrar a empresa.”
“Na época, não havia nenhum centavo no caixa da empresa e ainda havia muitas dívidas. Eu não tive escolha...”
“Desculpe, irmã.” Henrique olhou para Alessandra, o olhar carregado de culpa, o coração apertado. “Eu não consegui proteger nossa família.”
Os pais haviam falecido em um acidente quando a irmã tinha apenas quatorze anos.
Ele lhe entregou um cartão preto, e os olhos de Alessandra brilharam. “Estou rica, estou rica~”
Esse irmão empresário era mesmo incrível!
Com dinheiro, tudo se resolvia.
Alessandra não sabia exatamente o que havia acontecido nesses anos, mas, pelo sonho, sabia que Daniel se perdera na infância.
Agora, cursava o último ano do ensino médio e passava os dias brigando e se metendo em confusões.
Chegou a machucar o irmão estudioso do protagonista, que foi parar no hospital, e acabou sendo preso.
Ela desconhecia os detalhes, mas achava que poderia começar pelo irmão estudioso do protagonista para encontrar Daniel.
Ela percebia todos os pequenos gestos de Henrique, sabia do que ele se culpava.
Levantou-se e passou a mão nos cabelos de Henrique.
Não conseguiu mexer, pois ele havia usado bastante spray e estavam duros.
Henrique levantou a cabeça, um traço de constrangimento no olhar.
Naquele dia, ele havia se arrumado especialmente para ver Camila.
Alessandra fingiu não notar, recolheu a mão para trás. “Não fique triste, rapaz. No caminho, pesquisei sobre o acidente e vi por acaso a notícia do desaparecimento de Daniel. Não foi sua culpa. Sua irmã está de volta, e certamente vai encontrar Daniel.”
“Pode confiar em mim!”
Henrique: “...”
De maneira inexplicável, ao olhar nos olhos brilhantes de Alessandra, Henrique acreditou naturalmente em suas palavras.

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