Um chamado de “bebê” quase fez Kellen morrer de vergonha, sentiu arrepios por todo o corpo.
Era a primeira vez que ela ouvia Délio chamá-la assim; não achou doce, sentiu-se envergonhada e desconfortável.
Já era uma adulta, ainda sendo chamada de bebê...
Ela se desvencilhou de Délio e recuou meio passo.
“Aconteceu algo tão grave na empresa, concentre-se em resolver isso. Vidas estão em jogo, vá logo.”
“Espere por mim quando eu voltar.”
Kellen respondeu com um aceno indiferente.
Délio saiu dirigindo e as lanternas traseiras desapareceram aos poucos de sua vista.
Kellen permaneceu parada, suspirou e sentiu tristeza pelas vítimas.
Uma explosão destruíra tantas famílias.
Benício e Filomena voltaram da caminhada e, ao saberem que Délio fora resolver os problemas da filial, lamentaram o sofrimento das vítimas.
“Essas pessoas são muito infelizes, foram trabalhar e acabaram passando por uma situação dessas.”
“É preciso garantir que toda a assistência seja prestada adequadamente.”
Kellen permaneceu calada, mas em seu íntimo acreditava que o Grupo Guerra não deixaria faltar nada aos familiares das vítimas.
“Pai, mãe, tenho mais duas coisas para contar a vocês.”
Benício e Filomena escutaram atentamente. “O que houve?”
“Encontrei uma criança na rua, ela se chama Vitória e está no hospital, diagnosticada com leucemia.”
Benício e Filomena ficaram em choque: “!!!”
“A segunda coisa é que daqui três dias eu, bem...” Kellen hesitou, preocupada que os pais se abalassem.
“O que vai acontecer daqui três dias?” Filomena perguntou, aflita.
“Kellen, diga logo, não esconda nada de mim e do seu pai.”
Kellen lutou contra a própria angústia, inspirou fundo.
“Daqui três dias haverá uma audiência, estou processando a família Alcantara.”
Benício e Filomena ficaram incrédulos, Filomena sentou-se ao lado da filha e segurou sua mão.
“Qual o motivo do processo?”
Kellen contou toda a verdade, relatou o ocorrido desde o início, inclusive a amputação de Noemia Alcantara.
Benício ficou tão revoltado que quase arremessou a xícara de chá no chão.
……
No dia seguinte.
Kellen levantou-se no horário habitual e só viu a mensagem de Délio, enviada às três da manhã, durante o café da manhã.
Colocou o celular de lado em silêncio, sem responder.
Após o café, Kellen trocou de roupa e pegou um táxi para o hospital.
Ao entrar no quarto, encontrou Givaldo Guerra e Hyndara Sampaio, que já haviam chegado, assim como Lívia.
Kellen manteve a postura, cumprimentou a todos com educação e cortesia.
A senhora acenou-lhe feliz. “Kellen chegou.”
Kellen sorriu, caminhou com elegância e sentou-se ao lado da senhora.
“Vovó, Délio foi resolver os problemas da filial e não pôde vir.”
A senhora assentiu. “Eu sei, diante de algo tão grave, ele precisa ir.”
“Mãe, pode ficar tranquila, Délio certamente vai resolver tudo.” Givaldo procurou tranquilizá-la.
“Com certeza.” A senhora confiava plenamente na capacidade de Délio.

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