À mesa de jantar, cada um demonstrava uma expressão diferente: alguns permaneciam em silêncio, outros aparentavam constrangimento, apenas a senhora idosa estava visivelmente radiante de felicidade.
A idosa sempre fora a maior entusiasta do casal Kellen e Délio.
“Vovó, desculpe por fazer a senhora passar vergonha,” disse Kellen, um tanto sem graça.
A idosa olhou para ela com ternura e carinho, afirmando: “O relacionamento de vocês dois é melhor do que qualquer outra coisa.”
Kellen forçou um leve sorriso nos lábios e assentiu, contrariada.
Givaldo, depois de muito se segurar, não aguentou e largou os talheres com impaciência.
“Tem tempo para ligar para a esposa, mas não para dar notícias ao pai, isso é um absurdo.”
Hyndara tentou defender o filho: “Délio ainda não jantou, depois que comer com certeza vai te ligar, tenha um pouco de paciência.”
“Não aguento esperar.”
A idosa recolheu o sorriso do rosto e disse: “Isso não é correto, Délio liga para a esposa e você, como pai, está com ciúmes?”
Givaldo mostrou-se injustiçado: “Mãe, do que a senhora está falando?”
“Você sabe que não soa bem, mas o que você demonstra é exatamente isso.”
Givaldo contraiu os lábios: “……”
Hyndara novamente intercedeu pelo marido: “Mãe, não faça esse tipo de brincadeira, Givaldo não quis dizer isso.”
A idosa não quis ouvir: “Ele pode descontar o mau humor no filho, mas eu não posso fazer o mesmo com ele?”
“……” Hyndara ficou tão irritada que não conseguiu responder.
Seria isso mesmo o que ela queria dizer?
Givaldo não queria que a família brigasse por sua causa; de um lado estava sua mãe, do outro sua esposa, ambos importantes para ele e não podia desagradar nenhum dos lados.
“Tudo bem, tudo bem, a culpa foi minha, não deveria ter reclamado. Vamos comer, esqueçam o que eu disse.”
A idosa resmungou: “Assim está melhor.”
Kellen: “……”
Sem dizer nada, abaixou a cabeça e continuou comendo.
Tudo aquilo era culpa de Délio!
Após o jantar, Givaldo e Hyndara deixaram a casa da família.
Kellen ficou conversando um pouco com a idosa, e só saiu quando ela foi deitar para descansar à tarde.
O motorista a levou até o prédio da família França.
“Senhora, até logo.”
Kellen acenou com a cabeça, observando o carro sair do condomínio. Quando se virou para entrar no prédio, o celular tocou.
“Obrigada.”
Kellen trocou de calçado e, guiada por Ramiro, entrou no quarto.
Ivana estava encostada na cabeceira da cama, com aparência abatida, fraca e com um adesivo térmico na testa.
Ao ver Kellen, forçou um sorriso.
“Cunhada.”
Kellen se aproximou, sentou-se à beira da cama e abraçou Ivana com carinho.
“Já foi ao hospital?”
Ivana balançou a cabeça: “Não quero ir, o Ramiro comprou remédio para febre.”
Kellen demonstrou preocupação: “Qual a temperatura agora?”
Ramiro respondeu com seriedade: “Medi há dez minutos, estava em 38,2 graus.”
Não era nada muito grave.
Kellen ficou um pouco aliviada.
De repente, Ivana se lembrou de algo: “Cunhada, não conte para minha mãe que estou aqui.”
Kellen respondeu: “Posso não contar, mas você tem coragem de deixar a família preocupada? Você conhece sua mãe, se ela não conseguir falar contigo antes de anoitecer, provavelmente vai acionar a polícia.”

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