Kellen França percebeu que havia sido enganada, mas já era tarde demais.
Délio Guerra a abraçava e, ao mesmo tempo, inclinava-se para beijá-la; ela tentava se esquivar, mas ele a mantinha firmemente presa em seus braços.
Kellen, tomada pela raiva e quase às lágrimas, acabava por aceitar de forma passiva o beijo intenso e possessivo do homem.
Délio, contudo, manteve o respeito; além dos abraços e beijos, não fez nenhum outro gesto impróprio.
Os minutos se passaram lentamente.
A tensão atingiu o ápice, e então a atmosfera foi, aos poucos, se acalmando.
Délio, a contragosto, soltou Kellen com relutância.
Kellen, tomada pela irritação, o empurrou com força, furiosa e envergonhada. “Délio, você é um canalha, um idiota.”
Délio, porém, não demonstrou o menor aborrecimento. Pelo contrário, exibiu um sorriso malicioso, elegante e um tanto obscuro.
“Sim, sou um idiota. Quando estou diante de você, perco o controle.”
“...” Kellen quase sentiu vontade de explodir de raiva.
Mesmo diante do estado dela, ele ainda achava tempo para dizer tais coisas.
“Sou assim só com você. Não gosta?” O olhar de Délio era profundo.
Gostar do quê!
Kellen, irritadíssima, virou-se de costas e continuou a lavar a louça.
Délio quis ajudar, mas acabou sendo expulso após ouvir mais reclamações.
……
Como Délio havia bebido durante o jantar, por segurança, o pai de Kellen, Benício, e a mãe dela, Filomena, não permitiram que ele dirigisse de volta para casa, insistindo para que ele passasse a noite na casa da família França.
Délio, naturalmente, aceitou de bom grado.
Kellen, por outro lado, não ficou satisfeita, mas não pôde demonstrar isso naquele momento, restando-lhe apenas aceitar a situação com um sorriso forçado.
Benício e Filomena tinham o hábito de, todas as noites após o jantar, sair para caminhar no térreo do prédio; naquela noite não foi diferente.
O casal se despediu da filha e do genro, trocou de sapatos e saiu de mãos dadas.
Naquele momento, restaram apenas Kellen e Délio na casa.
A televisão da sala estava ligada, mas Kellen, distraída, mudava de canal sem prestar atenção, já que não havia nenhum programa que realmente a interessasse. Por fim, também trocou de sapatos e se preparou para sair para uma caminhada.
“Onde vai?”
A voz de Délio soou atrás dela; ele acabara de sair do banheiro.
Kellen, sem sequer olhar para trás, abriu a porta com irritação, respondendo de maneira ríspida: “Vou para onde eu quiser, isso não é da sua conta.”
“Explosão no galpão.”
“……”
Logo, o elevador chegou ao térreo e os dois saíram juntos, em silêncio.
Délio parou diante do carro e fez questão de se dirigir a Kellen: “Vou tentar voltar a tempo para o dia da audiência.”
Kellen pensou em dizer que não era necessário.
No instante seguinte, Délio se virou repentinamente e a abraçou.
“Cuide-se. Espere por mim. Use o cartão black para comprar um carro novo, não economize por minha causa.”
“Meu carro ainda está funcionando.”
“Não fico tranquilo sabendo que você dirige um carro com problema.”
Kellen sentiu-se tomada por emoções contraditórias, sem saber o que responder.
Délio soltou o abraço, abaixou o olhar para ela e disse: “Mesmo ficando só alguns dias longe, vou sentir sua falta.”
Kellen: “……”
“Querida, você vai sentir minha falta?”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Futuro Continua Lindo Mesmo Depois do Divórcio