(Ponto de vista de Grace)
Meu rosto estava em chamas. Não só o rosto, mas também o pescoço inteiro, os ombros e até a ponta das orelhas ficaram vermelhos demais. Sempre acontecia quando eu estava furiosa. Quando aquele tipo de raiva silenciosa subia dentro de mim como água fervente. Eu conseguia senti-la sob a pele, pronta para explodir.
Meu Deus, eu odiava tudo naquele momento.
O constrangimento sufocava. A vergonha, a confusão, a sensação de impotência por não lembrar do que tinha acontecido, enquanto aquele desgraçado presunçoso me tratava como se eu fosse apenas alguma garota desesperada que tinha se arrastado até a cama dele implorando por atenção.
Não. Não. Eu não era a vilã dessa história. Eu era a maldita vítima. Mas fiquei ali sentada, deixando ele ir embora, engolindo minhas palavras como uma idiota.
E agora eu estava ali, fervendo em arrependimento, com meu orgulho sangrando por todos os lados.
— Ahem. Senhorita. — Uma voz interrompeu.
Levantei o olhar bruscamente para o assistente, ou seja lá o que ele fosse. Ele nem estava olhando para mim. Pelo menos teve a decência de não encarar enquanto eu estava coberta apenas por um cobertor.
— Por favor, senhora. — Disse ele.
— Vista-se para que possamos discutir o valor e—
— Nem termine essa frase. — Retruquei, estreitando os olhos.
— Ou eu juro por Deus que a porta não será a única coisa em que vou jogar algo em seguida.
Ele se encolheu levemente e recuou de imediato.
— Mas o senhor Reed disse que eu deveria lhe dar o que a senhora pedir. Ele nunca faz nada de graça.
— O que vocês pensam que eu sou?! — Rebati, ainda apertando o cobertor contra o peito, os dentes cerrados.
— Eu pareço uma profissional do sexo para você? Não me importa se o seu precioso senhor Reed é algum figurão rico que nunca faz nada de graça. Eu não estou à venda.
Os olhos de Chase se arregalaram em pânico.
— Ninguém está vendo a senhorita dessa forma, eu juro. Não é isso. — Disse ele, desviando o olhar, claramente constrangido.
— O senhor Reed apenas insiste em pagar pelo que aconteceu ontem à noite. Uma compensação, só isso. Ele não quer que seja injusto com a senhora.
Quase dei uma risada de escárnio. Injusto comigo? Aquele homem? Ele estava falando do mesmo homem que me humilhou? Ele nem gosta de mim. Por que se importaria com justiça?
— Eu não quero o dinheiro dele. Vá embora agora.
— Senhorita, por favor, apenas diga um valor. — Insistiu.
— Vou me meter em problemas se a senhora se recusar a aceitar. Ele vai achar que eu não cumpri meu trabalho direito.
Eu encarei Chase, o maxilar tenso. E o que isso tinha a ver comigo? Essas pessoas não escutavam. Não se importavam com o que eu dizia. Só queriam concluir a tarefa e se livrar de mim.
Tudo bem.
Se a única forma de acabar com aquele circo era entrar no jogo, então eu faria do meu jeito.
— Está bem. Você quer um valor? — Disse, com a voz rígida.
Chase assentiu rapidamente. Inspirei fundo, apertando ainda mais o cobertor ao redor do corpo.
— Então me dê dez milhões de dólares. Esse é o meu preço. — Declarei com firmeza.
— Dez milhões de dólares. Se ele quer pagar para aliviar a consciência, proteger o ego ou qualquer outro motivo distorcido que tenha, é isso que vai custar. Aceite ou deixe.
Eu esperava descrença, risadas, talvez uma porta batendo na minha cara. Em vez disso, Chase apenas assentiu uma vez.
— Certo, senhora. Por favor, o número da sua conta.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...