Ponto de vista de Grace.
Momentos como este me faziam, honestamente, questionar o que diabos tinha me trazido até aqui.
Por que eu me permitiria estar nesta situação quando poderia tê-la evitado de cem maneiras diferentes?
Eu não deveria ter ouvido Austin, para começar.
Eu não deveria ter deixado minha consciência vencer e colocado os pés lá dentro.
Eu não deveria ter convidado meu chefe para almoçar comigo.
Eu não deveria ter sido cegada pela comida e derramado uma bebida na calça dele.
E, acima de tudo, eu definitivamente não deveria ter tocado na calça dele como uma boba.
Agora aqui estava eu, agachada debaixo da mesa de Apollo, meu peito apertado, minha respiração superficial enquanto eu tentava não emitir um único som.
Genesis ainda estava falando. Sua voz soava bem divertida. Apollo respondia no seu tom habitual, seco e cortante, mas mesmo sem ver seu rosto, eu percebia: ele queria que ela fosse embora. Mas Genesis não estava nem perto de terminar.
Era como se ela estivesse prolongando aquilo deliberadamente, tornando tudo mais difícil, esticando a tensão até que meus nervos estivessem em frangalhos.
Suspirei baixinho, já cansada, minhas coxas latejando de ficar tanto tempo ajoelhada. Para aliviar a pressão, mudei minha mão de lugar na perna dele, pretendendo apenas movê-la levemente para buscar conforto. Mas, por algum golpe cruel do destino, minha palma roçou diretamente entre as pernas dele.
Eu congelei, e ele também.
— Não deixe o projeto... — A voz dele parou no meio da frase.
Meu coração saltou para a garganta.
Puta que pariu.
O ritmo constante dos dedos dele batendo na mesa cessou instantaneamente.
Genesis soltou uma risadinha.
— Hmm? O que te fez parar? Algo te tocou acidentalmente?
Meus olhos se arregalaram. O calor subiu pelo meu rosto e eu puxei minha mão de volta como se tivesse tocado em fogo, apertando os dedos contra o peito. Minhas bochechas queimavam tanto que achei que fosse entrar em combustão.
Meu Deus.
Ela sabia.
Genesis definitivamente sabia que eu estava aqui embaixo.
Pressionei as mãos contra o rosto, mortificada. Eu poderia morrer agora mesmo e ainda seria menos humilhante.
Apollo não disse nada a princípio. Então finalmente ele falou num tom de aviso.
— Já chega.
Genesis fingiu inocência, seu tom doce.
— Chega? Não tenho ideia do que você está falando.
Apollo recostou-se na cadeira. Debaixo da mesa, tive um breve vislumbre de seus olhos cor de mel descendo para mim. Foi apenas um relance, mas o suficiente para fazer meu estômago revirar; eu poderia jurar que algo perigoso queimava ali.
— Pare de joguinhos. — Ele disse com a voz rouca.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...