Ponto de vista de Apollo.
— Senhor Apollo, gostaria de almoçar comigo?
Por um momento, me perguntei se tinha ouvido errado.
Almoço?
Meus olhos saíram do documento à minha frente e fixaram-se nela enquanto ela permanecia ali. Ela nem sequer me olhava; seu olhar desviava para qualquer outro lugar da sala que não fosse o meu. Seus dedos apertavam a sacola com um pouco de força demais, seus ombros estavam tensos, seus lábios se abrindo nervosamente antes que sua língua roçasse o lábio inferior.
Ah. Isso a entregou. Ela sempre fazia aquilo quando dizia algo de que se arrependia. O que significava que eu não tinha ouvido errado.
Aquela mulher estranha realmente queria almoçar comigo.
Meus olhos caíram para a sacola de comida em sua mão. Não muito tempo atrás, eu estava mergulhado no trabalho, mal pensando antes de dizer a Austin para pedir comida do restaurante mais caro da região para ela. As palavras saíram da minha boca antes mesmo que eu percebesse o que estava dizendo.
Austin piscou, surpreso, antes de sua boca se curvar naquele sorriso irritantemente presunçoso. Eu o dispensei rapidamente depois disso; não estava com paciência para lidar com o divertimento dele. Voltei aos meus documentos, deixando aquele momento estranho de lado, porque qualquer que fosse aquele impulso, não valia a pena remoer.
Eu certamente não esperava que ela entrasse aqui, agarrada àquela mesma sacola, e sugerisse compartilhá-la comigo.
Inclinei a cabeça, estudando-a. Que mulher peculiar. A maioria das pessoas evitava estar na mesma sala que eu, a menos que fosse absolutamente necessário, mas aqui estava ela.
Quando não respondi imediatamente, ela se mexeu, baixando a cabeça levemente como se estivesse envergonhada de suas próprias palavras.
— Eu devo estar fora de mim, senhor. Peço desculpas por incomodá-lo. Já vou indo.
Ela se virou, já no meio do caminho para a porta.
— Sente-se, senhorita Grace.
As palavras deixaram minha boca antes que eu pudesse pensar melhor.
Ela congelou por dois segundos inteiros antes de se virar, seus olhos arregalados encontrando os meus.
— O quê?
Empurrei o documento para o lado, recostando-me na cadeira.
— Eu ainda não almocei. Vamos comer juntos. — Meu tom era indiferente, como se não importasse de qualquer maneira.
Ela permaneceu plantada no lugar, olhando para mim como se não tivesse certeza se deveria acreditar no que acabara de ouvir. Ergui uma sobrancelha, parecia não estar impressionado.
— Eu não como comida fria. — Disse eu, olhando para a comida na mão dela.
Isso pareceu tirá-la de qualquer transe em que estivesse. Ela piscou rapidamente, então assentiu, quase tropeçando nas palavras.
— S-sim, senhor.
Finalmente, ela se moveu. Atravessando a sala, alcançou minha mesa e pousou a sacola com cuidado, como se não tivesse certeza se estava me oferecendo almoço ou se alimentando a si mesma a um predador.
E talvez, no caso dela, não houvesse muita diferença.
Ela retirou os recipientes um por um da sacola, arrumando-os ordenadamente na minha mesa. Seus olhos nunca encontravam os meus.
Recostei-me na cadeira, braços cruzados, estudando-a em silêncio.
Quando ela finalmente abriu o recipiente principal, congelou e soltou um ofego Sua boca se abriu de surpresa enquanto sussurrava:
— Não admira que tenha custado caro, esse caranguejo daria para alimentar vinte pessoas.
Olhei para ela, divertido.
Ela tossiu sem jeito, como se para esconder um sorriso, então alcançou a sacola novamente e tirou alguns utensílios. Por um momento, seus olhos encontraram os meus. Aquele olhar fugaz disse tudo: o quão nervosa ela estava, mas determinada a seguir em frente. Ela estendeu a colher.
Encarei-a em silêncio. Depois de um momento, peguei a colher da mão dela. No instante em que meus dedos se fecharam em torno da prata, ela relaxou levemente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...