Ponto de vista de Grace.
Chase parou na minha frente com uma pasta enorme nas mãos e um sorriso se abrindo em seu rosto.
— Esta é a revisão do produto, Senhorita Grace. A maioria dos comentários é mais positiva do que negativa. Tudo o que você precisa saber está aqui.
Encarei a pasta como se fosse um monstro esperando para me devorar. Minha mandíbula literalmente caiu. Era grossa, com páginas e mais páginas entulhadas. Meus olhos se arregalaram com o peso quando ele a entregou.
— Você só pode estar brincando. — Murmurei baixinho.
Chase deve ter notado a expressão no meu rosto, pois coçou a nuca sem jeito.
— Na verdade... eu queria te entregar a versão que eu resumi. Teria sido mais rápido e fácil de processar, mas... — Ele se inclinou um pouco, baixando a voz.
— Me disseram para te entregar esta aqui no lugar.
Pisquei para ele, apertando a pasta pesada contra o peito. Meu primeiro pensamento foi Apollo.
Era impressão minha ou ele estava tentando me sobrecarregar de trabalho de propósito? Mas por quê? Ontem, achei que estávamos em bons termos; ele até tinha me levado em casa depois. Por um segundo, me permiti acreditar que as coisas seriam menos estranhas entre nós. Claramente, eu estava errada.
Suspirei, balançando a cabeça rapidamente antes de espiralar em pensamentos desnecessários. Não importava. Eu vim aqui para trabalhar, não para decifrar os humores do meu chefe. Forçando um sorriso, assenti para Chase.
— Obrigada. Vou começar agora.
— Certo. — Chase se animou novamente. Então, ele apontou para a lateral do andar.
— E é aqui que você vai se sentar.
Segui o dedo dele, e quando meus olhos pousaram na mesa o meu estômago afundou. O lugar era limpo, perfeitamente equipado com papelaria nova e um monitor novo. Parecia inofensivo, até que notei a parede de vidro diretamente atrás dele.
O escritório de Apollo.
Meus lábios se abriram enquanto eu engolia em seco, um nó invisível se formando na garganta.
Karma.
Eu devo ter feito algo horrível em uma vida passada, porque por que diabos minha nova mesa ficaria literalmente na frente do escritório do chefe? Cada vez que ele erguesse os olhos, ele me veria. Cada movimento da minha mão, cada suspiro, cada segundo em que eu ficasse encarando a tela sem saber o que fazer, ele saberia.
Me voltei para Chase com os olhos arregalados. A expressão dele era de piedade, como se dissesse silenciosamente:
"Se eu fosse você, preferiria morrer a ficar debaixo do nariz dele o dia todo."
Meus ombros caíram.
— Entendo... — Murmurei, tentando esconder o pavor na voz.
— Vou trabalhar nisso agora.
Chase me deu um sorriso solidário antes de seguir seu caminho, deixando-me à mercê do meu destino.
Me arrastei até a mesa e coloquei as pastas pesadas enquanto me sentava lentamente na cadeira. Por um momento, apenas fiquei ali, encarando a pilha de trabalho, tentando ignorar o calafrio que subia pela minha espinha.
A curiosidade falou mais alto. Virei a cabeça levemente, espiando para o lado.
Através da janela de vidro, eu podia ver Apollo. Ele estava sentado na borda de sua mesa, com papéis na mão, enquanto Austin estava ao seu lado, relatando algo. Normalmente, quando Chase estava naquele lugar, a expressão de Apollo era de desaprovação total, olhos afiados, boca cerrada. Mas com Austin, seu rosto era neutro.
Então Austin era realmente o seu braço direito.
Meu olhar demorou-se um segundo a mais em Apollo: sua postura, as veias correndo ao longo de suas mãos onde as mangas estavam dobradas, a leve inclinação de sua cabeça enquanto ouvia. O foco em seus olhos, a maneira deliberada como segurava a caneta, aqueles dedos dele...
Deus, aqueles dedos eram longos e habilidosos. Não admira que ele sempre conseguisse atingir os lugares certos...
O calor se enroscou no fundo do meu estômago, meus pensamentos se desviando sem pudor, até que os olhos dele se moveram, pousando diretamente em mim.
Minha respiração travou.
Austin ainda falava, alheio, mas Apollo não olhava mais para ele. Ele estava olhando para mim através do vidro, seus olhos me prendendo onde eu estava sentada.
Desviei a cabeça tão rápido que minha cadeira rangeu contra o chão. Meu coração batia violentamente no peito enquanto eu abria a pasta na minha frente, fingindo estudar a primeira página com foco total.
Seria assim todos os dias? Com ele me observando daquele escritório como um falcão? Como eu deveria conseguir terminar qualquer coisa se conseguia sentir os olhos dele em mim?
Exalei trêmula, enterrando o nariz ainda mais na papelada.
— Ótimo. — Murmurei baixinho.
---

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...