Ponto de vista de Grace.
Inspirei e expirei, tentando me acalmar, mas meu peito ainda parecia apertado. Pronto, estava feito. Eu realmente tinha dito. As palavras pairaram entre nós, e por um segundo, esperei que ele dissesse algo cruel ou debochado, mas ele não disse. Apollo apenas me estudou por um momento, com uma expressão ilegível, antes de sua voz soar baixa.
— Entendo.
Eu o encarei.
— "Entendo"?
Ele se afastou da mesa, erguendo-se em toda a sua altura, e o cômodo pareceu encolher ao meu redor.
— Eu já sabia que tinha sido um erro. — Disse ele.
— Você deixou isso óbvio ao fugir de mim em todas as oportunidades que teve. Então imaginei que o que aconteceu foi um acidente e que você não tinha ideia de quem eu era.
Inclinei a cabeça para trás para encontrar seu olhar. Então era por isso que as pessoas diziam que ele era um homem calculista para se lidar: ele avaliava as situações e chegava à conclusão certa.
Soltei um suspiro trêmulo e quase sorri de alívio.
— Então eu vou enviar o dinheiro...
— Isso não significa que estou aceitando o dinheiro de volta.
Minhas palavras travaram na garganta.
— O quê?
— Se você não se sente confortável aceitando o dinheiro — disse ele —, então pense nele como um adiantamento do seu salário mensal.
Pisquei para ele, certa de que tinha ouvido errado. Mas ele parecia mortalmente sério.
— Salário... mensal?
Minha mente girou. Ele sequer sabia quanto eu ganhava por mês? E mais importante, ele tinha alguma ideia de quanto eram dez milhões de dólares? Por que ele falava como se estivesse distribuindo balas?
Abri a boca para dizer algo, mas o olhar em seus olhos me parou no ato. Seu olhar me dizia que, não importa qual argumento eu apresentasse, ele já tinha tomado sua decisão. Ele não ia aceitar o dinheiro de volta.
Um suspiro baixo escapou dos meus lábios. Não adiantava andar em círculos com ele. Melhor deixar isso de lado por enquanto, empurrar para o fundo da mente onde pudesse apodrecer até eu estar pronta para lidar com isso.
— Então, senhorita Grace, você tomou sua decisão? — Apollo perguntou.
Sem nada que me impedisse, ergui meu olhar para o dele. Meu pulso batia como um tambor nos meus ouvidos, minha boca estava seca, mas as palavras vieram mesmo assim.
— Sim, eu aceito ter um relacionamento sexual com o senhor.
Por um momento, ele apenas me encarou, parecendo satisfeito com o rumo que a conversa tomara. Ele entreabriu os lábios, claramente prestes a dizer algo, mas o toque repentino da campainha cortou o silêncio da sala.
Minha cabeça virou em direção à porta da frente. Meu coração subiu ainda mais na garganta. Quem poderia ser?
Olhei para Apollo, mas sua expressão permaneceu indiferente. Ele se moveu em direção à porta com passos largos.
— Espera. — Soltei.
Ele parou quando eu o alcancei instintivamente, segurando sua manga. Ele olhou para minha mão antes de olhar para mim.
— E se for alguém do escritório? — Perguntei, baixando a voz.
Lá se ia minha confiança. Ainda assim, eu tinha que ser cuidadosa; se as pessoas descobrissem sobre meu novo relacionamento com ele tão rápido, seria além de humilhante.
— Você não precisa se preocupar com isso.
Hesitei, então soltei lentamente sua manga. Algo na maneira como ele disse me fez acreditar nele. Ele se virou, caminhando em direção à porta, desapareceu no corredor e saiu.
Depois de um tempo, a porta se abriu novamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...