Ponto de vista de Apollo.
— Você está atraído por ela!!
A voz de Genesis ecoou pelas paredes do meu escritório, alta o suficiente pra fazer os vidros vibrarem.
Pressionei os dedos contra a têmpora e me inclinei na cadeira, já me arrependendo de não ter expulsado ela no segundo em que Grace saiu.
— Você fala alto demais. — Murmurei, esfregando a cabeça.
— Você está mesmo atraído por aquela garota. — Ela disse de novo, dessa vez mais devagar, como se o cérebro dela não conseguisse processar a informação.
— Você, Apollo Reed, o homem que age como se tivesse alergia a mulheres.
Ela se jogou na cadeira à minha frente, ainda de olhos arregalados.
— A última vez que eu ouvi alguma coisa sobre você com uma mulher foi pela própria mulher. Lembra dela? Aquela loira que chorou pros amiguinhos da alta sociedade, se gabando de como era sortuda por dividir a cama com você… até você ir embora sem dizer uma palavra. Uma atitude bem babaca, diga-se de passagem.
Levantei a cabeça devagar, inclinando-a enquanto pensava. Aquela história parecia vagamente familiar.
Ah. Certo.
— A grudenta. — Falei, seco.
— Eu deixei minhas regras bem claras antes de começar. Ela ignorou tudo depois que a gente transou, tentou me acordar com panquecas e me chamou de "amor". Foi nojento.
Genesis soltou um suspiro forte e balançou a cabeça.
— É isso que mulheres fazem quando estão interessadas em você, Apollo. Isso não é nojento, isso é algo básico do ser humano: se apegar.
Me recostei na cadeira, o olhar desviando pra porta… e pensei em Grace.
No jeito como ela acordou naquela manhã, achando que eu tinha me aproveitado dela. O olhar cheio de raiva, gritando, tendo até a audácia de jogar alguma coisa em mim. Foi a primeira vez que uma mulher não chorou, não se agarrou, não implorou.
Ela me xingou. E ainda me chamou de vários nomes.
Interessante. Ela conseguiu me irritar… e me divertir ao mesmo tempo.
Genesis seguiu a direção do meu olhar, erguendo as sobrancelhas ao perceber que eu ainda encarava a porta por onde Grace tinha saído.
— Uau… você está mesmo atraído por ela. É a primeira vez que eu te vejo tão focado numa mulher desde sua es— — Ela parou antes de terminar a frase.
Olhei pra ela.
Ela desviou o olhar.
— Deixa pra lá.
Escolha inteligente.
Genesis era a vice-presidente… e minha melhor amiga.
A gente se conheceu quando éramos crianças. Nossos pais tentaram arranjar um casamento entre nós, mas eu nunca tive interesse. Pra falar a verdade, ela me dava medo naquela época. E, bem… Genesis era lésbica. Ela sempre gostou de mulheres.
A gente acabou se dando melhor como amigos, e nunca mais nos afastamos. Em vez de assumir a empresa do pai, ela escolheu trabalhar na minha, principalmente depois que minha esposa morreu. Disse que alguém precisava ficar de olho em mim.
Ela é uma das poucas pessoas que eu tolero.
Mesmo sendo completamente o meu oposto.
O silêncio se estendeu entre nós, até que como se quisesse mudar o rumo da conversa, ela se levantou da cadeira e se espreguiçou de forma exagerada.
— Enfim. Eu voltei. Depois de um voo de doze horas e três bebês berrando atrás de mim. Eu estou tão cansada que posso desmaiar agora mesmo nesse seu tapete caro e esquisito.
— Você pode desmaiar depois do seu relatório. — Respondi.
Genesis gemeu.
— Você é mesmo um demônio. Me manda pro outro lado do mundo fechar um acordo, eu desço do avião, venho direto pro seu escritório… e você já está me dando trabalho?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...