(Ponto de vista de Grace)
A música pulsava fundo nos meus ouvidos. Continuei rolando a lista de vagas de emprego, o polegar lento, os olhos secos.
Aff. Nada.
Ou as vagas já tinham sido preenchidas, ou as ofertas eram ruins, mal pagas, com carga excessiva de trabalho, ou eram golpes descarados.
Soltei um longo suspiro e arrastei a palma da mão pelo rosto, pressionando os olhos fechados. Que diabos eu ia fazer?
Eu precisava trabalhar. Precisava ganhar alguma coisa. Não podia continuar vivendo como um parasita, não importava quantas vezes Eleanor e Wyatt dissessem que não se importavam. Eu me importava.
— Ah. — Murmurei para mim mesma.
— Por que esse emprego tinha que ser a melhor oferta?
Os benefícios, a experiência, o salário, a melhor equipe de relações públicas… tudo em trabalhar na Reed Corporation era exatamente o que eu precisava.
Pena que eu provavelmente seria demitida em breve.
— Ele com certeza vai me demitir. — Sussurrei.
Mas talvez… talvez não?
Passei a língua pelos lábios, tentando me convencer.
— Não. Quer dizer, talvez ele não demita. Existe uma chance.
Soltei um riso amargo.
— Ah, por favor. Existem tantos motivos para ele me demitir. Por que não faria isso? Ele é implacável e sem coração. E mais, por que tinha que ser logo ele? — Bati de leve no volante com a palma da mão enquanto falava.
Gemi, olhei para cima e gritei:
— Meu Deus!
Levei a mão ao peito, quase pulando do banco.
Sentado tranquilamente no banco de trás, com os braços cruzados, estava Apollo. Meu chefe. Meu lindo, indiferente e sem emoções chefe.
Quando ele entrou?! Há quanto tempo estava ali?!
Meu coração disparou. Me atrapalhei para tirar o fone de ouvido, as mãos subitamente úmidas.
— H-hm… senhor Apollo. — Gaguejei, minha voz mal saindo.
Os olhos dele se abriram lentamente, e aquelas íris cor de avelã penetrantes encontraram as minhas pelo retrovisor. Pareciam quentes e sonolentas, mas eu sabia que não era bem assim.
— Volte para o escritório. — Disse ele, com a voz baixa e controlada.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Ou… você tem algo a me dizer?
Balancei a cabeça rapidamente.
— N-não. Claro que não.
Minhas mãos ainda tremiam quando voltei a olhar para frente. Segurei firme o volante e coloquei o carro em movimento, rezando em silêncio o caminho inteiro.
Por favor. Por favor, não deixe ele ter ouvido tudo.
Estacionei o carro em frente à empresa e desliguei o motor. Chegamos, e eu mal tinha respirado durante todo o trajeto.
Mesmo morrendo de curiosidade para saber o que Apollo e os pais tinham discutido, mantive a boca fechada.
Mordi o lábio inferior, os olhos fixos na estrada à frente. Eu não era idiota. Eu valorizava a minha vida, muito obrigada. Ele não era o tipo de homem a quem se cutucava em busca de respostas, a menos que você tivesse um desejo de morte. E eu gostava de respirar.
No momento em que estacionamos, Chase abriu rapidamente a porta do carro para ele, e Apollo abriu os olhos devagar.
Meu corpo tremeu. Juntei as mãos, tentando me acalmar, e fechei os olhos com força, me preparando para o pior.
— Senhorita Grace. — Ele disse, e meu coração afundou. Era isso. Eu ia ser demitida. Ou pior… presa por ter tocado naquele maldito livro.
— Eu— — Comecei, mas ele atropelou a minha fala.
— Chegue cedo amanhã.
— ……
Espera. O quê?
Me sobressaltei e olhei para ele, chocada. Ele sustentou meu olhar, um brilho perverso nos olhos, então se levantou e caminhou em direção às portas do escritório.
Ele já estava saindo do carro quando olhou por cima do ombro, o canto da boca se contraindo.
— Ah, e você estava certa.
— Hã?
— Eu sou implacável e sem coração, mas apenas com quem merece.
Ele foi embora, ignorando os funcionários que se curvavam ao passar. Nem sequer os reconheceu. Atrás dele, Chase sorriu e me deu um joinha, como se estivesse orgulhoso de eu ter sobrevivido.
Fiquei sentada ali por um momento, atônita.
O que acabou de acontecer? Não. Essa não era a pergunta certa.
A verdadeira pergunta que eu deveria estar me fazendo era: eu acabei de sobreviver a isso?
Eu não fui demitida.
Ele disse para eu chegar cedo amanhã. Isso definitivamente significava que eu ainda tinha meu emprego!
Uma risada escapou dos meus lábios. Me recostei no banco e ri baixinho, o coração ainda acelerado.
Ele não me reconheceu. Realmente não me ligou à mulher da noite passada. Enquanto eu mantivesse um perfil discreto e evitasse cruzar com ele de novo, tudo poderia voltar ao normal, ou pelo menos normal o suficiente até eu encontrar um emprego decente em outro lugar.
Saí do carro, sorrindo para mim mesma enquanto chamava um táxi.
O que de pior poderia acontecer?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...