Ponto de vista de Grace.
Eu me sobressaltei com o som repentino e me virei imediatamente, apenas para encontrar Genesis parada ali com sua costumeira expressão contida, embora houvesse um leve rastro de alívio oculto em seus olhos astutos.
River revirou os olhos dramaticamente, apesar do sangue que manchava sua camisa.
— Que estraga-prazeres... — Murmurou ele, fraco.
Genesis retribuiu o gesto com os olhos e cruzou os braços.
— Não havia prazer nenhum para ser estragado aqui. E talvez, em vez de paquerar, você devesse focar em sobreviver, porque esse ferimento parece bem profundo.
Ela então desviou o olhar para mim, e,no instante em que seus olhos percorreram meu rosto e confirmaram que eu estava bem, seus ombros relaxaram visivelmente. Ela soltou um suspiro baixo e disse:
— Graças a Deus você está salva, Grace. Não se preocupe, há uma ambulância a caminho. Nossos homens vão levá-lo. Ele vai ficar bem.
Como se fosse um comando ensaiado, vários homens entraram apressados no galpão junto com Chase, com movimentos rápidos e coordenados. A visão de rostos familiares fez o aperto no meu peito afrouxar um pouco. Eu estava prestes a agradecer quando uma voz alta e desesperada cortou o ar.
— Grace!
Voltei-me na direção do som, e meu coração se expandiu dolorosamente no peito quando vi minha mãe correndo em minha direção, seguida de perto por Theodore, Ryan e Adam. Eles não caminhavam com calma ou mantinham a habitual postura digna; eles corriam, com os rostos tomados pelo medo e pela urgência.
Naquele momento, eu não pude negar a verdade que havia se enraizado silenciosamente no meu coração ao longo dos últimos meses. Quando pensei que fosse morrer, quando senti o chão frio sob meu corpo e a escuridão ameaçando me engolir por inteiro, pensei no Apollo e neles.
Eu os amava.
Minha mãe me alcançou primeiro e me puxou para os seus braços com tanta força que quase perdi o equilíbrio, suas mãos tremendo enquanto envolviam meu rosto e me examinavam da cabeça aos pés.
— Grace, meu Deus... você está bem? Ela te machucou?
Sua voz estava trêmula, os olhos marejados de lágrimas contidas, e assenti rapidamente para acalmá-la.
— Estou bem, estou realmente bem.
Theodore se aproximou, com o maxilar cerrado de uma forma que eu nunca tinha visto antes, enquanto a expressão geralmente serena de Ryan estava fragmentada pela preocupação, seu olhar me avaliando como um médico em busca de lesões ocultas. Até mesmo Adam permaneceu perto, com o semblante sombrio e protetor.
— Eu estou bem. — Repeti suavemente, tentando acalmar a todos de uma só vez.
Minha mãe abriu a boca como se fosse dizer algo mais, mas então seus olhos se desviaram por sobre o meu ombro e pousaram no corpo caído imóvel no chão.
Todo o seu corpo enrigidilhou.
Quando reconheceu Katherine, seu rosto perdeu completamente a cor, e ela estancou no lugar, encarando a garota que um dia havia criado como sua própria filha.
Acompanhei o olhar dela, depois segurei gentilmente sua mão na minha e sussurrei:
— Me desculpa. Eu não consegui protegê-la.
Ela piscou, como se estivesse despertando de um transe, e imediatamente balançou a cabeça.
— N-não se desculpe. — Disse ela, a voz embargada.
— Eu soube que foi ela quem te sequestrou. Me perdoe, meu amor. A culpa é minha. Eu nunca deveria ter criado um lobo dentro da minha própria casa.
Apertei mais forte a mão dela e neguei com firmeza.
— Não é sua culpa. Você também foi uma vítima.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...