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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 217

Ponto de vista de Grace.

Drip. Drip. Drip.

O som lento da água caindo de algum lugar acima ecoava pela escuridão, cada gota atingindo o chão com um ritmo sinistro que me trazia lentamente de volta da inconsciência. Minha cabeça latejava violentamente, uma dor aguda e pulsante que fazia parecer que meu crânio havia sido partido ao meio, e cada parte do meu corpo doía como se eu tivesse sido esmagada sob algo pesado.

Um gemido baixo escapou dos meus lábios quando tentei me mover, mesmo que ligeiramente, mas o menor movimento enviou outra onda de dor que me castigou por inteira. Minhas pálpebras pareciam pesadas, coladas, e quando finalmente as forcei a se abrirem, o sangue seco em meu rosto embaçou minha visão e fez tudo parecer distorcido.

Instintivamente, tentei erguer a mão para limpar o sangue, mas meus braços se recusaram a mover.

Puxei com mais força.

Nada.

Meus pulsos queimaram com uma pontada ardente, e foi aí que percebi que minhas mãos estavam amarradas firmemente atrás das minhas costas. A corda áspera cavava dolorosamente em minha pele toda vez que eu lutava.

Um gemido escapou da minha boca.

— O-que diabos... — Murmurei fracamente, tentando novamente me libertar, mas era inútil. As amarras estavam apertadas.

Minha respiração acelerou, tornando-se superficial e irregular conforme o pânico começava a subir. O ambiente era mal iluminado, a única luz vinda de uma lâmpada fraca pendurada no teto, balançando levemente como se tivesse sido perturbada há não muito tempo. As paredes eram de concreto, manchadas e rachadas, e o ar cheirava a mofo e estagnação. Parecia um depósito abandonado.

A última coisa de que me lembrava era de entrar no carro.

Congelei.

Não. Eu me lembrava de mais coisas.

Lembrava de ligar para o Apollo, lembrava de sorrir para o meu celular, e então o carro havia parado. O motorista disse que sentia muito. A porta se abriu e Katherine havia entrado. E então, ela me atingiu com uma barra de ferro.

Minha mandíbula se contraiu conforme as memórias se encaixavam. Elas devem ter me trazido para cá depois que perdi a consciência. Eu baixei a minha guarda.

Drip. Drip. Drip.

— Ora, mas vejam só.

A voz era leve e alegre, mas havia algo distorcido por trás dela.

Lentamente ergui a cabeça, apesar da dor, e foquei minha visão embaçada para a frente.

Katherine estava parada a poucos passos de mim, um sorriso arrogante estendendo-se por seu rosto. Ela vestia um moletom largo demais, o tecido manchado e amassado, nada parecido com as roupas elegantes com as quais costumava desfilar por aí. A mulher que antes se portava como a realeza agora parecia desalinhada e insana. Seu cabelo estava uma bagunça, suas roupas sujas, e havia um brilho selvagem e instável em seus olhos que a tornava quase irreconhecível.

— A mulher outrora orgulhosa — continuou ela em tom de deboche, circulando-me devagar —, que pensava que tudo estava correndo perfeitamente para ela, agora está amarrada neste estado patético. Como se sente, Grace?

A estudei em silêncio, minha expressão calma e indiferente.

A única razão pela qual eu estava tão calma era porque, quando recobrei a consciência, a primeira coisa que verifiquei, apesar da dor, apesar do sangue, foi se ela havia machucado meu estômago.

Ela não havia.

Se ela tivesse sequer tocado no meu filho que ainda não nasceu...

Meu olhar obscureceu por uma fração de segundo.

Ela não estaria de pé ali agora. Eu teria usado até a última gota de força em mim para arrastá-la direto para o inferno.

Inalei o ar devagar e me recostei contra a cadeira fria, ignorando a dor na minha cabeça enquanto perguntava:

— Você está agindo sozinha?

Katherine parou no meio do passo. Seu sorriso vacilou ligeiramente.

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