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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 201

Ponto de vista de Grace.

— Ei, ei, o que aconteceu? — A voz de uma mulher sussurrou por perto.

— Ouvi dizer que a diretora estava furiosa. Alguém aprontou de novo?

Fiquei completamente imóvel atrás da prateleira alta, meu corpo pequeno espremido no espaço estreito entre os livros, meus dedos apertando o livrinho gasto que eu estava lendo. Meu coração começou a bater mais rápido conforme outra mulher respondeu.

— O que você acha? — A segunda desdenhou, a voz cheia de irritação.

— Por que mais a diretora estaria brava se não por causa daquela garota indesejada?

— A garota indesejada? — A primeira repetiu, parecendo mais curiosa do que surpresa.

— Ah, você quer dizer a Grace? O que ela fez dessa vez? A diretora está sempre brava com ela.

Engoli em seco, minha garganta subitamente árida.

— Dois casais vieram hoje. — A segunda continuou, abaixando um pouco o tom como quem compartilha uma fofoca.

— Eles queriam adotar uma criança. E, como sempre, a diretora queria que aquela garota indesejada fosse a escolhida. — Ela estalou a língua.

— Mas quando os casais chegaram, ela nem sequer sorriu. Não agiu como uma criança normal. Só ficou lá parada, encarando-os, parecendo uma boba.

— Os casais já não a queriam porque ela é mais velha do que a maioria dos menores aqui. — A mulher prosseguiu, claramente irritada.

— Mas ela tinha que agir de forma estranha além de tudo. É claro que não a escolheram. Então agora a diretora está furiosa porque ela não foi adotada de novo.

— Entendi. — A primeira mulher disse devagar.

— Não me surpreende. — Ela pausou e então acrescentou:

— Mas tem uma coisa que eu não entendo direito. Por que a diretora tenta tanto fazer com que alguém a adote? Notei que ela sempre empurra a Grace para frente, especialmente quando os pais são estrangeiros. É quase como se ela a quisesse fora do país.

A segunda mulher deu de ombros, o som parecendo indiferente e desdenhoso.

— Quem sabe. Talvez a diretora tenha seus próprios motivos. Mas honestamente, aquela garota é só esquisita. Ela não fala, não sorri. Só fica ali sentada em silêncio o tempo todo. É um fardo. Eu gostaria que ela fosse adotada de uma vez. Ou talvez... sei lá. Ela bem que podia morrer.

Senti meu peito se apertar dolorosamente diante daquelas palavras.

A primeira mulher arquejou, embora houvesse riso misturado em sua reação.

— Credo, isso é um pouco maldoso.

— Não estou mentindo. — A segunda riu de volta.

— Todo mundo quer que ela suma. Até as outras crianças acham ela estranha.

O riso delas ecoou suavemente pela biblioteca à medida que os passos iam desaparecendo.

Só então coloquei a cabeça lentamente para fora de trás da prateleira.

Abracei o pequeno livro com força contra o peito, pressionando-o contra mim como se ele pudesse me proteger daquelas palavras, mas elas continuavam se repetindo na minha cabeça, recusando-se a parar. Meus lábios tremeram enquanto eu os mordia, tentando desesperadamente me manter quieta.

Eu não podia chorar. Eu não deveria chorar.

Disse isso a mim mesma repetidas vezes. Chorar só tornaria as coisas piores. Sempre que eu chorava, a diretora ficava brava. As freiras ficavam bravas. Todo mundo ficava bravo comigo. Se eu chorasse, eles me odiariam ainda mais.

Por isso, apertei meus lábios com mais força, espremendo os olhos fechados, forçando-me a permanecer em silêncio. Mas minhas lágrimas não me ouviram.

Elas escaparam de qualquer forma, uma após a outra, pingando nas páginas do livro em meus braços. Meus ombros tremeram ligeiramente enquanto eu tentava conter o pranto, aterrorizada com a possibilidade de alguém me ouvir e voltar.

Justo quando pensei que não conseguiria mais contê-las, uma voz pequena e gentil ecoou ao meu lado:

— Você pode chorar, tia Grace.

Paralisei.

Minha respiração engatou na garganta conforme virei a cabeça lentamente, meus olhos se arregalando em choque.

Sentada bem ali ao meu lado estava uma garotinha estranha, vestida com um avental hospitalar pálido, as pernas balançando na cadeira enquanto me fitava com olhos bondosos.

Ergui uma sobrancelha ao olhar para ela, minhas lágrimas momentaneamente esquecidas. Eu não entendia quem ela era ou por que estava ali, sentada tão calmamente ao meu lado, como se aquele fosse o seu lugar. Talvez fosse uma menina nova no orfanato, alguém que eu não tinha notado antes, embora tivesse certeza de que me lembraria de um rosto como o dela.

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