(Ponto de vista de Grace)
Se alguém algum dia me dissesse que o diabo não existe, eu olharia nos olhos dessa pessoa e diria a verdade.
Ele existe. E eu cometi o terrível erro de cruzar o caminho dele.
Apollo Reed estava diante de mim, perto o suficiente para roubar meu fôlego. A presença dele era sufocante. Seu olhar não apenas me observava, ele me atravessava, como se pudesse ver todas as coisas que ninguém jamais viu. As coisas que eu enterrei. As partes que eu não deixava ninguém tocar.
Os olhos dele deslizaram lentamente, preguiçosamente, passando pelo meu rosto e depois por cada parte de mim.
Parecia que ele estava me despindo apenas com o olhar, me descascando camada por camada. Quando o olhar dele voltou a encontrar o meu, eu poderia jurar que havia um fragmento de emoção em sua expressão.
Diversão? Satisfação? Ou minha mente só estava tentando me proteger, transformando aquilo em um sonho estranho e ruim?
— Hmm. — Ele disse, a voz baixa, quase num tom de tédio.
— Você realmente pensa bastante antes de falar. Devo interpretar isso como uma confissão dos seus crimes?
Meus olhos se arregalaram.
— N-não!
Eu não quis gritar. Simplesmente explodiu de dentro de mim.
A sobrancelha dele se ergueu levemente com o meu surto. Aquela pequena curva brincando em seus lábios fez meu rosto arder ainda mais.
Tapei a boca com a mão.
— Eu não quis gritar, senhor. — Murmurei por entre os dedos.
Ele se recostou, como se aquilo fosse apenas uma interrupção levemente divertida no dia dele.
— Então me diga. O que exatamente você está fazendo no meu escritório, andando às escondidas e tocando em coisas que não lhe pertencem?
Engoli em seco. Minhas mãos tremiam.
— Eu sou a G-Grace. — Disse rápido, as palavras saindo atropeladas, abaixando um pouco a cabeça.
— Sou uma das novas funcionárias do setor de relações públicas. Fui encarregada de trazer algo para o senhor.
Apontei para a pasta ainda sobre a mesa. Meu coração batia tão forte que parecia ecoar nos meus ouvidos.
Deus, estava tudo tão errado. De todas as pessoas naquele prédio enorme, por que eu fui entrar logo no escritório dele sem avisar? Por que justamente eu, a única pessoa tentando desesperadamente nunca mais vê-lo?
Ele ainda não disse nada. Espiei para ele de novo. Mas dessa vez, ele não estava olhando para o meu rosto.
Hã?
Segui o olhar dele e quase morri ali mesmo.
Meu cardigã havia se aberto um pouco, revelando uma faixa de lingerie preta por baixo. Não era apenas sugestivo, era explícito. Meus seios estavam praticamente emoldurados à mostra. Mas ele estava mesmo olhando para eles?
Balancei a cabeça. O que eu estava pensando? Não havia como alguém como ele me olhar daquele jeito.
— E-eu só vim entregar os arquivos do senhor Aiden. — Falei, me aproximando da mesa e gesticulando de forma desesperada para a pasta.
— Só isso. Eu definitivamente não estava roubando nada.
A expressão dele não mudou. Eu queria que o chão se abrisse e me engolisse inteira.
— Quer dizer, eu só vi um livro na sua estante e reconheci. — Continuei, a voz tropeçando mais rápido do que meu cérebro conseguia acompanhar.
— Eu nem estava planejando ler ou abrir! Eu só queria tocar nele, pelo menos uma vez.
— O-olhe em volta do escritório, senhor. Tem muita coisa cara aqui. Se eu fosse roubar algo, o senhor acha mesmo que eu escolheria um livro?
Era uma desculpa esfarrapada horrível, mas era a única que eu tinha.
— Você deveria ter feito sua pesquisa. — Ele disse friamente.
— O-o quê?
Ele deu um passo à frente, e meus pés recuaram por instinto.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...