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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 196

Ponto de vista de Grace.

Filha?

Encarei a mulher à minha frente, confusa, minha mente lutando para fazer sentido de suas palavras. Ela me chamou de filha com uma naturalidade avassaladora, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Sim, nós éramos parecidas. Qualquer pessoa com olhos conseguiria notar a semelhança, mas aparência física não significava necessariamente um laço de sangue. Como eu poderia ser filha dela se passei a vida inteira em um orfanato? Ninguém nunca tinha vindo me procurar, ninguém nunca tinha me reivindicado como parte de uma família. Ouvi a vida toda que eu fui abandonada, que meus pais não me queriam, e essas palavras me seguiram como uma sombra, não importava o quão rápido eu tentasse fugir delas. Por isso, o que ela estava dizendo agora parecia absurdo.

E então tinha o Ryan. Ele a chamou de mãe. Se ela era a mãe dele, significava que era uma Jones, uma das mulheres mais poderosas do mundo. Alguém daquele nível jamais poderia ser minha mãe. A simples ideia parecia irreal, como um roteiro mal escrito de uma história qualquer.

Balancei a cabeça devagar, tentando afastar aqueles pensamentos.

Quando ela esticou o braço na minha direção novamente, recuei a mão por instinto. Meu corpo reagiu antes que minha mente pudesse processar, como se o toque dela fosse capaz de destrancar memórias que eu não estava pronta para enfrentar.

Respirei fundo, forçando-me a manter a calma, e olhei direto em seus olhos.

— Senhora, a senhora está enganada. — Disse cuidadosamente. — Eu não sou sua filha, talvez tenha me confundido com outra pessoa.

A cor sumiu instantaneamente do rosto dela. Sua expressão tornou-se pálida e frenética, e o desespero em seus olhos fez meu peito se apertar dolorosamente. Ela tentou segurar minha mão mais uma vez, mas dei um passo para trás, mantendo a distância entre nós. Seus lábios tremeram ao engolir em seco, e as lágrimas já começavam a inundar seus olhos.

— E-eu não estou enganada. — Disse ela, a voz embargada.

— Como eu não reconheceria minha própria filha? Como eu não saberia qual é a criança que eu dei à luz? Eu já vi muitas pessoas fingindo ser minha filha, mas nunca aceitei nenhuma delas, porque eu conheço o meu sangue. Eu sei que você é o meu bebê.

Ela prendeu minha mão antes que eu pudesse me afastar de novo, apertando-a com força, como se temesse que eu sumisse no ar se me soltasse.

— Você é a minha menina. — Chorou.

— Meu Deus... eu procurei por você em todos os lugares. Não consigo acreditar que finalmente te encontrei.

As lágrimas escorriam pelo rosto dela, e meu coração despencou com a cena. Algo profundo dentro de mim doeu, um impulso avassalador de dar um passo à frente, envolvê-la em meus braços e dizer que tudo ficaria bem. Mas não fiz isso.

Ceder àquele impulso só alimentaria uma falsa esperança, e se ela estivesse errada, eu estaria machucando a ela e a mim mesma ainda mais.

Girei a cabeça na direção de Ryan, implorando silenciosamente com o olhar para que ele interviesse e parasse aquilo antes que fosse longe demais. No entanto, ele apenas observava com uma expectativa silenciosa, como se soubesse que esse momento era inevitável.

Franzi o cenho, a frustração borbulhando no meu peito. Por que sempre havia algo tão perturbador em relação à família Jones? Por que todos eles tinham que ser tão estranhos?

Voltando-me para a mulher, me forcei a falar novamente, mantendo a voz suave, porém firme.

— Eu sinto muito, de verdade. — Declarei.

— Mas eu não sou sua filha. Espero que a senhora a encontre algum dia. Sinceramente. Adeus, senhora.

Antes que ela pudesse responder, virei-me e comecei a me afastar.

— Não, espere...! — Ela chamou por mim.

Dei mais um passo e parei. Quando ergui o olhar, Apollo estava parado bem na minha frente.

Sua expressão era calma na superfície, mas eu já o conhecia o suficiente para enxergar o que havia por baixo. Seus olhos estavam escuros, tempestuosos, preenchidos por uma raiva contida que me causou um calafrio na espinha. Ele não precisou dizer uma única palavra. Eu conseguia sentir.

Ele estava furioso.

Ele olhou para mim, e algo em sua feição mudou. O olhar suavizou-se, tornando-se terno. Por um segundo, quis perguntar o que havia de errado, mas antes que as palavras ganhassem forma, seus olhos moveram-se para além de mim.

Paralisei.

Não precisei olhar para trás para saber exatamente para quem ele estava direcionando aquela intensidade.

Ryan.

As palavras de Chase ecoaram na minha mente, o aviso sobre a tensão latente entre os Reed e os Jones, sobre como Apollo e Ryan nunca se deram bem de verdade.

Eu conseguia sentir a eletricidade entre os dois, porque o olhar de Apollo escureceu ainda mais no instante em que o encarou. Mas então, como se lembrasse de algo muito mais importante, Apollo deu um passo à frente e buscou a minha mão.

Pousei o olhar ali, sobressaltada, encarando nossas mãos unidas antes de erguer os olhos para ele em pura confusão. O aperto dele era firme.

— O que foi? — Perguntei baixinho.

— Está tudo bem?

Ele me encarou por um longo momento, com a mandíbula travada e os olhos indecifráveis, antes de responder:

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