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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 193

Ponto de vista de Grace.

"Sou eu, Hannah. Eu tenho comido direitinho como você falou... mas você prometeu que voltaria. Quando você vai voltar? Eu quero ver o homem coelho de novo."

Corri enquanto a voz da garotinha ecoava repetidamente na minha mente.

Meu coração martelava tão forte que parecia prestes a rasgar meu peito conforme eu avançava, eu não sabia pra onde estava indo, só sabia que precisava chegar até ela. Passei pelas pessoas no corredor, minha respiração estava totalmente descompassada.

Não tive cuidado. Trombei direto com alguém, e o impacto nos lançou direto para o chão. O homem soltou um gemido agudo, com a irritação evidente em sua voz ao olhar para mim.

— Que porra é essa? Você é cega?

Eu nem sequer olhei para ele direito. Abaixei a cabeça rapidamente, as palavras saindo sem pensar:

— Sinto muito, me desculpe.

Antes que ele pudesse dizer mais nada, eu já estava de pé, me virando e correndo de novo o mais rápido que minhas pernas conseguiam me levar.

— Caralho, você enlouqueceu? Volta aqui agora mesmo! — Ele gritou atrás de mim.

Não parei e nem olhei para trás.

Apenas notei que os passos atrás de mim cessaram de repente, como se algo — ou melhor, alguém — os tivesse interrompido. Não ouvi o que foi dito, não vi o que Apollo fez, mas soube instintivamente que o homem não estava mais me seguindo.

Quando alcancei o quarto familiar, diminuí o ritmo, meus passos vacilando até que parei do lado de fora da porta. Meu peito subia e descia rapidamente enquanto me inclinava perto da pequena janela de vidro.

Dentro do quarto, Hannah estava sentada na cama. Ela segurava um giz de cera em sua mãozinha, colorindo cuidadosamente uma folha de papel branco estendida à sua frente. Seus movimentos eram lentos, mas focados. Ao lado dela estava Genesis, vestida casualmente de shorts e moletom, inclinando-se ligeiramente na direção da menina enquanto falava.

Eu não conseguia ouvir o que ela dizia, mas, fosse o que fosse, fez os lábios de Hannah se curvarem para cima antes que ela voltasse ao desenho, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Pisquei.

Minha mente lutava para processar o que meus olhos viam. Aquela era a mesma garota que mal reagia a vozes, que ficava isolada em seu próprio mundo, que olhava fixamente para as paredes como se o ambiente ao seu redor não existisse. E agora ela estava desenhando.

Lá dentro, Genesis parou de repente, como se sentisse o meu olhar. Ela olhou em direção à porta, e quando seus olhos encontraram os meus através do vidro, sua expressão suavizou-se em um sorriso. Ela se virou para Hannah e disse algo baixinho.

Hannah assentiu e continuou a colorir, completamente à vontade.

Genesis levantou-se e caminhou até a porta, a fechando sem fazer barulho enquanto vinha ao meu encontro.

Dei um passo para trás, encarando-a.

— Eu estou vendo coisas? — Perguntei, sem fôlego.

— Aquela é mesmo a Hannah?

Genesis assentiu.

— Sim. É ela mesma.

Soltei uma respiração trêmula que nem havia percebido que estava prendendo.

— Eu também fiquei surpresa. — Continuou Genesis.

— O hospital me ligou ontem e disse que ela estava progredindo bem. Estava comendo direito, respondendo mais e até falando com os outros sem se fechar.

Não consegui conter o sorriso que se espalhou pelo meu rosto, sentindo meus olhos arderem.

— Como isso é possível? — Perguntei.

— Não sei ao certo. Mas pelo que me disseram, ela começou a agir melhor depois da última vez que você veio. — Disse ela.

— A enfermeira mencionou que ela tem se alimentado bem e que não para de olhar para a porta, como se estivesse esperando por você.

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