Ponto de vista de Grace.
Nós nem chegamos até a porta.
A mão de Apollo deslizou firme em volta da minha cintura, enquanto a outra palma embalava a lateral do meu rosto. Ele me beijou profundamente, como se não tivesse mais nenhum lugar no mundo para ir e nenhuma intenção de parar.
O beijo roubou o ar dos meus pulmões, dissolvendo meus pensamentos enquanto eu me derretia contra ele. Envolvi seu pescoço com meus braços sem hesitar, correspondendo ao beijo com a mesma intensidade, meus dedos se emaranhando em seu cabelo como se soltá-lo fosse impossível. Ele se moveu para frente enquanto me segurava, guiando-nos em direção à porta como se eu não pesasse absolutamente nada, e eu o segui por instinto, perdida naquele calor.
Quando alcançamos os degraus da entrada, minha perna esbarrou em um deles e eu quase perdi o equilíbrio, mas Apollo reagiu instantaneamente. Seu aperto se firmou ao redor da minha cintura enquanto ele me erguia sem o menor esforço, não me deixando cair nem por um segundo. Minhas pernas se envolveram instintivamente em torno de sua cintura, meu corpo totalmente pressionado contra o dele, e ele não pausou nem se afastou.
Eu nem me importei com o que quase tinha acontecido. Cair era a última coisa na minha mente. Tudo o que eu conseguia sentir era ele, suas mãos, seus lábios, a maneira como me segurava como se aquele fosse o meu lugar.
Senti algo sólido atrás de mim, e no momento seguinte, a porta se abriu com o som suave do sensor reconhecendo a impressão digital dele. Passamos para o lado de dentro sem quebrar o beijo, com o mundo exterior desaparecendo no nada.
As luzes continuaram apagadas. Apollo já estava girando o corpo, claramente pretendendo me carregar direto para o quarto, quando um som agudo de algo caindo pelo chão ecoou pela sala.
Congelei instantaneamente.
Meus olhos se abriram abruptamente e me afastei o suficiente para respirar, meu coração martelando descontrolado. Apollo, no entanto, não parecia confuso. Ele parecia irritado. Seu olhar mudou para além de mim, fixando-se em algo atrás do meu ombro, sua expressão escurecendo ligeiramente.
— O que foi? — Perguntei, arfante, arqueando uma sobrancelha quando ele não respondeu.
Ainda em seus braços, estiquei a mão e acendi a luz.
No momento em que me virei, meu coração despencou direto para o estômago.
Parado no meio da sala de estar, sorrindo com uma cumplicidade excessiva, estava Adam, o pai de Apollo. Ao lado dele, havia uma mulher linda, com uma expressão dividida entre a surpresa e a diversão enquanto assimilava a cena diante de si.
— Meu Deus... — Murmurei, meus olhos se arregalando de horror.
Eles nos encararam por um momento antes de a mulher soltar uma risada baixa, seu sorriso brilhante enquanto inclinava a cabeça.
— Meu Deus do céu. — Disse ela.
— O que eu estou vendo, tio? Aquele ali é o meu primo... com uma mulher?
As palavras dela me arrancaram do estado de choque.
Tentei me afastar imediatamente, movendo-me como se quisesse descer dos braços de Apollo, meu rosto queimando de vergonha. Mas ele não me soltou. Em vez disso, seu aperto se intensificou; uma das mãos firme na minha cintura e a outra na minha bunda, segurando-me com a mesma segurança de antes, como se descer dali sequer fosse uma opção.
Olhei para ele, confusa, meu coração acelerado.
"O que ele estava fazendo? Não estava vendo o pai e a prima parados bem ali?"
— Apollo, você... — Comecei.
Ele olhou para mim uma única vez, e aquilo bastou.
Aquele único olhar me disse tudo: "Fique quieta."
Minha boca se fechou imediatamente. Meu rosto parecia estar em chamas enquanto eu baixava o olhar, incapaz de encarar qualquer pessoa naquela sala. Meu coração batia dolorosamente no peito.
Isso era mortificante.
E de alguma forma, com os braços dele ainda envolvidos em mim, mantendo-me firme, a situação parecia ainda mais intensa. Para piorar, eu não fazia ideia do que Adam estava pensando, apenas que ele provavelmente me acharia uma sem-vergonha por estar com o filho dele daquele jeito.
Exatamente quando eu começava a entrar em espiral mental, Adam de repente caiu na gargalhada.
— Hahahaha! — A risada alta e satisfeita dele ecoou pela sala.
Sobressaltei-me com o som e instintivamente olhei para ele, meu coração dando um salto. Adam exibia um sorriso largo e realizado, os olhos brilhando como se tivesse acabado de testemunhar algo que já deveria ter acontecido há muito tempo. Em vez de raiva ou choque, ele parecia radiante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...