Ponto de vista de Grace.
Olhei para o menu por um segundo antes de apontar levemente para o balcão.
— Duas pipocas, por favor.
O homem atrás do balcão olhou para mim, parou por um breve momento como se estivesse processando algo, e em seguida, abriu um sorriso largo.
— Certo, senhorita. Duas pipocas saindo agora mesmo.
Assenti e me virei levemente, deixando meu olhar vagar pelo cinema barulhento. As pessoas passavam em pequenos grupos, conversando e rindo enquanto se dirigiam às suas salas. Em algum lugar por perto, uma garotinha corria em direção aos pais, quase tropeçando nos próprios pés, e seu pai a pegou no colo com um sorriso, enquanto o resto da família sorria carinhosamente antes de se afastarem juntos.
Sorri com a cena sem perceber. Por algum motivo, meus pensamentos derivaram para a menininha do hospital. Ela provavelmente adoraria um lugar como este. Talvez um dia, quando estivesse melhor, eu pudesse trazê-la aqui. Não sabia por que sentia algo tão forte por ela, mas sempre que pensava naquela criança, algo no fundo do meu peito se agitava, me instigando a não querer nada além da felicidade dela.
Observei a família desaparecer na multidão antes de finalmente desviar o olhar. Foi quando meus olhos pousaram nele.
Apollo estava encostado casualmente no corrimão, com uma das mãos enfiada no bolso enquanto a outra segurava o celular no ouvido. Ele falava baixinho com alguém, com a voz grave. Seu cabelo estava levemente bagunçado, as mangas da camisa dobradas, e a visão dele ali — tão fora de lugar e, ao mesmo tempo, perfeitamente natural — me tirou o fôlego.
Ele parecia um CEO rico que havia entrado acidentalmente em um cinema pela primeira vez na vida, o que no caso dele não ficava longe da verdade.
Ao redor dele, as mulheres diminuíam o passo, sussurrando umas com as outras enquanto o encaravam sem o menor pudor. Algumas pareciam querer avançar nele ali mesmo. E eu nem podia culpá-las.
Eu também queria avançar nele.
Apollo Reed era o tipo de homem que você só via em romances ou filmes. Era surreal demais, bom demais para ser verdade. E no entanto, mesmo com todas aquelas mulheres bonitas ao redor tentando roubar sua atenção, os olhos dele estavam em mim, como se mais ninguém existisse.
Quando notou que eu o encarava, ele arqueou levemente uma sobrancelha. Balancei a cabeça para ele, com um pequeno sorriso surgindo nos lábios, dizendo silenciosamente para ele cuidar da própria vida. Isso me rendeu a mais sutil curva no canto de sua boca em resposta.
— Aqui, sua pipoca está pronta. — Disse o homem no balcão.
Me voltei para ele. Ele ainda ostentava o mesmo sorriso bobo enquanto entregava as pipocas na minha direção. Sorri sem jeito, peguei os baldes e os coloquei no balcão antes de pegar minha carteira. Puxei o dinheiro e estava prestes a entregá-lo quando ele balançou a cabeça.
— Não, não se preocupe. — Disse ele rapidamente.
— É por conta da casa.
Pisquei.
— O quê?
— Não preciso do seu dinheiro, senhorita. — Respondeu ele, animado.
— Oh, não, eu não posso aceitar. — Eu disse imediatamente, estendendo o dinheiro de qualquer forma.
— Obrigada, mas por favor, pegue.
O homem balançou a cabeça, ainda sorrindo com uma confiança excessiva.
— Não, é sério, senhorita. Você realmente não precisa pagar. — Disse ele, inclinando-se mais perto.
— Eu não deixo mulheres bonitas pagarem.
Arqueei uma sobrancelha, um tanto confusa.
Ah. Certo, eu não estava usando meu disfarce hoje.
Antes que eu pudesse responder, ele se aproximou um pouco mais e piscou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...