(Ponto de vista de Grace)
No momento em que ouvi o nome dele, minha alma quase saiu do meu corpo.
De repente todos se projetaram para a frente num surto coletivo, tropeçando e se atropelando, desesperados para impressionar o homem mais assustador do prédio. Em um segundo eu estava à vista, no seguinte, fui completamente engolida por uma enxurrada de novos contratados ansiosos, todos se empurrandopara chamar a atenção dele.
Graças a Deus.
Não pensei em mais nada, apenas corri.
Como uma ladra em plena luz do dia, atravessei a porta de vidro mais próxima e disparei pelo corredor. Meus sapatos chiaram levemente no chão quando virei a esquina, o coração disparado, a adrenalina gritando nos meus ouvidos.
Me enfiei no canto da parede, escorreguei até o chão e abracei os joelhos contra o peito, arfando.
Foi por pouco demais.
Meu peito subia e descia rápido, como se tentasse escapar das costelas.
Se ele tivesse me visto, minha vida teria acabado.
Enterrei o rosto nas mãos.
— O que diabos eu estou fazendo aqui?
Hoje deveria ser um bom dia depois de tantos momentos azarados. Era para ser minha chance de recomeçar, de entrar na Reed Corporation como uma fodona, trabalhar duro, ser invisível e definitivamente não agir como uma criminosa se escondendo do seu caso de uma noite com o chefe.
Meu caso de uma noite acabou sendo o CEO da empresa com a qual eu sonhei trabalhar a vida inteira. E não qualquer CEO. Era o Apollo Reed, porra. O bilionário. O empresário que podia fazer ou destruir pessoas com o cérebro e a inteligência.
— Deus, que tipo de reviravolta distorcida é essa? — Sussurrei, arrastando as mãos pelo rosto.
Eu deveria ter pesquisado. Deveria ter jogado o nome do CEO no google. Inferno, eu deveria ter evitado vir descaradamente trabalhar depois do que eu fiz. Mas não. Na minha esperteza, deixei a Eleanor me disfarçar de manhã. Peruca loira, óculos grandes demais e cardigã largo. Eu parecia uma bibliotecária genérica tentando fazer cosplay de estagiária nervosa. Tudo porque eu pensei: não tem como eu encontrar o CEO numa empresa desse tamanho.
Trinta minutos, e eu já tinha tido uma experiência de quase morte.
Gemi, me abraçando com mais força.
— Eu nem posso me desculpar agora. Não posso devolver o dinheiro. Se ele descobrir que eu estou aqui, vai me demitir na hora, ou pior, me processar por danos emocionais.
Minha respiração começou a se estabilizar um pouco, mas meu coração ainda martelava no peito.
— Eu só quero desaparecer.
— Você está bem? — Perguntou uma voz grave.
Eu me assustei, levando a mão ao peito e levantando a cabeça de repente.
Diante de mim estava um homem, alto e atraente. O cabelo escuro estava bagunçado, e ele me olhava com gentileza.
Meu cérebro travou por meio segundo. Eu o reconheci, ele estava a alguns metros de mim durante a reunião de orientação.
— E-eu… sim — Soltei, sem fôlego.
— Estou bem. Só precisava de um ar fresco.
Ele sorriu.
— Eu fiquei preocupado. Você parecia estar fugindo de alguma coisa.
Se você soubesse.
Balancei a cabeça rapidamente, forçando um sorriso.
— Claro que não. Eu não fugiria de ninguém.
Não era exatamente mentira. Mais uma negação estratégica.
Ele arqueou uma sobrancelha, mas não insistiu. Em vez disso, estendeu a mão. Encarei por um instante, depois encaixei a minha mão na dele.
Ele me ajudou a levantar, e eu sorri agradecida.
— Obrigada…
— River. — Disse ele.
— Eu sou o River.
— Grace. — Respondi.
Ele assentiu.
— Vamos voltar. O senhor Aiden já distribuiu as tarefas enquanto você estava fora. E como o CEO voltou para o escritório, todo mundo foi colocado em duplas. Nós dois somos parceiros.
Endireitei a postura e dei uma palminha.
— Então vamos! Não podemos enrolar no primeiro dia.
Ele riu baixo, e juntos atravessamos as portas de vidro de volta para o departamento de relações públicas.
Assim que entramos, o barulho estava mais alto.
— Meu Deus, ele é gostoso pra caralho! — Uma garota guinchou perto da última fileira de mesas.
— Eu não achei que ele fosse tão gostoso na vida real.
— Eu sei, né? — Outra acrescentou, suspirando.
— E ele tem quarenta? Isso é tipo a idade do irmão mais novo da minha mãe. Meu tio parece tão velho e cansado, mas o CEO nem parece ter quarenta. Parece que está saindo da casa dos vinte. Senhor, tende piedade.
Mordi a parte de dentro da bochecha e apressei o passo.
— Sério, ele está com uma vibe total de daddy. Sabe, daquele tipo que você lê em romance? Quente, rico, mais velho que você, provavelmente incrível na cama. Eu chamaria ele de daddy agora mesmo se ele pedisse.
Eu parei. O River me olhou surpreso quando eu congelei no meio do corredor.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...