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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 175

Ponto de vista de Grace.

— Tudo bem, a gente se vê mais tarde, Grace.

Virei ligeiramente ao som do meu nome e assenti com um sorriso educado.

— Até mais tarde.

Conforme as portas do elevador começavam a deslizar para se fechar, meus olhos se desviaram para o lado sem pensar, e foi aí que a vi.

Katherine estava encostada casualmente contra a parede do elevador, sua postura relaxada, os lábios curvados em um sorriso agradável. Mas quando seu olhar cruzou com o meu, algo afiado brilhou em seus olhos. Foi breve, mas eu vi.

As portas se fecharam completamente, cortando-a da minha linha de visão.

Fiquei ali parada por um momento mais longo do que o necessário, meus dedos se apertando ao redor da alça da minha bolsa. Algo nela me deixava inquieta. Mesmo que o sorriso dela fosse perfeito, mesmo que não tivesse dito nada de errado, a maneira como olhou para mim pareceu errada.

Parecia um predador estudando sua presa, procurando maneiras de brincar com ela.

Balancei a cabeça, levando a mão à têmpora.

— Você está pensando demais, Grace. — Murmurei para mim mesma.

— Ela não fez nada de errado, não julgue um livro pela capa.

Esse sempre foi o meu problema; ei pensava demais. Procurava entrelinhas em coisas que provavelmente não significavam nada. Mesmo assim, a sensação incômoda permaneceu no meu peito enquanto eu me virava e caminhava pelo corredor, repetindo as mesmas palavras para mim mesma, apesar de meus instintos gritarem silenciosamente para eu ficar alerta quando estivesse com ela.

Quando alcancei o andar de Apollo, aquele sentimento familiar me atingiu quase instantaneamente. Caminhei até a minha mesa do lado de fora do escritório dele, pousei a bolsa e olhei ao redor. Sem perceber, sorri.

Meus olhos se desviaram para a sala de Apollo. A luz estava acesa, mas ele não estava lá dentro.

Eu sentia falta disso.

Sentia falta de como costumava me sentar aqui, rígida e nervosa com cada pequeno erro, hiperconsciente da presença dele atrás daquela porta. De como eu conseguia sentir o olhar dele mesmo quando ele não estava olhando diretamente para mim. De como o toque dele sempre fazia meu coração disparar, preenchendo-me com uma mistura de ansiedade e excitação que eu não sabia como lidar.

Estar com ele tinha me mudado. Mostrou-me que a vida não foi feita para ser vivida no piloto automático, presa na mesma rotina todos os dias.

Rotina.

A palavra me fez pausar.

Inclinei a cabeça ligeiramente, meus pensamentos derivando para um lugar inesperado.

Charles, e a minha família.

Tudo tinha estado tão caótico ultimamente que eu sequer havia dedicado um único pensamento a eles.

Era estranho perceber isso, eles costumavam ser a minha vida inteira.

Me perguntei como Charles estaria. Ele era um homem complicado, alguém que nunca entendeu a si mesmo direito, mas não era uma pessoa má.

Mesmo que ele tivesse me machucado, eu genuinamente queria o melhor para ele. Ainda assim, eu sabia que se continuássemos conectados, mesmo como amigos, isso só acabaria machucando a nós dois. E no entanto, apesar de tudo, não conseguia evitar me preocupar com ele.

Em vez de ligar para ele diretamente, enfiei a mão na bolsa e puxei meu telefone para ligar para uma de suas amigas. Eu tinha o número dela porque ela e Charles trabalhavam no mesmo lugar, e ela costumava me ligar sempre que Charles ficava bêbado e precisava de alguém para levá-lo para casa.

O telefone chamou duas vezes antes de a chamada ser atendida.

— Alô, quem fala? — A voz dela ecoou pela linha.

Respirei fundo antes de responder.

— Oi, aqui é a Grace.

Houve uma breve pausa, e então o tom dela mudou imediatamente.

— Meu Deus, Grace. Oi! Como você está? É tão bom ouvir a sua voz.

Sorri fraco.

— Igualmente. Hum... desculpe te incomodar, mas eu queria perguntar sobre o Charles. Ele está bem? — Perguntei, e logo acrescentei:

— Por favor, não deixa ele saber que eu liguei.

Ela ficou em silêncio por um momento. Quando finalmente falou de novo, sua voz era cautelosa.

— Ah, você não ficou sabendo.

Minhas sobrancelhas se juntaram.

— Sabendo de quê?

Ela suspirou suavemente.

— É compreensível. Eles estão tentando manter a notícia sob sigilo, então só algumas pessoas sabem. Mas eu vou te contar, já que você está preocupada com ele. — Ela pausou, então falou devagar.

— O Charles e a família dele faliram, Grace.

Congelei.

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