Ponto de vista de Grace.
Abri os olhos lentamente, espantando o sono. Por um longo momento, apenas encarei o teto, com a respiração lenta e ritmada. Então, virei a cabeça e olhei para o relógio pendurado na parede.
21h.
Suspirei e cobri o rosto com uma das mãos.
Deus, que estresse.
Dois dias se passaram. Desde que a febre me derrubou, mal consegui ficar de pé. O médico tinha vindo há dois dias, me deu uma injeção e uma pilha de remédios, e, desde então, Eleanor, Wyatt e os gêmeos praticamente revezaram turnos para me vigiar. Eles fecharam o restaurante, os gêmeos faltaram à escola e Eleanor mal dormiu. Eles me alimentaram, limparam meu suor, sentaram-se ao meu lado, conversaram comigo mesmo quando eu mal conseguia responder, e então eu adormecia de novo, continuamente.
Eu estava acostumada a cuidar de mim mesma quando ficava doente, mas desta vez, a febre deve ter sido brutal, porque se eles não estivessem aqui, eu não queria nem pensar no que poderia ter acontecido.
Afastei o cobertor e me sentei devagar. Meu corpo doía inteiro, mas ignorei a dor e me permiti respirar por alguns segundos antes de ficar de pé. Caminhei até o espelho, e no momento em que vi meu reflexo, fiz uma careta. Eu parecia mais magra. Meu rosto ainda estava pálido e meu cabelo era um completo ninho de passarinho.
Enquanto arrumava os fios, meus dedos roçaram o colar que descansava contra a minha clavícula.
Ainda estava lá.
O colar de Apollo. Aquele que ele havia colocado em mim logo antes de tudo sair do controle. Eu não o tinha tirado desde então. Só de olhar para ele, algo no meu peito se aquecia.
Fechei os olhos, balancei a cabeça e lentamente o retirei. Coloquei-o com cuidado sobre a bancada antes de tirar meu vestido amassado e seguir para o banheiro.
Enchi a banheira com água morna e adicionei sabonete até que o aroma preenchesse o ambiente. Quando ficou pronto, entrei, afundei na água e soltei um gemido baixo de alívio.
— Ah, isso é tão bom.
Eu mal conseguia me lembrar da última vez que tinha tomado um banho de verdade. Juntando a água morna nas mãos, derramei-a sobre os ombros. Inclinando-me para trás na banheira, finalmente me senti humana de novo.
Apoiei a cabeça na borda e murmurei para mim mesma:
— Como será que ele está?...
Faziam dois dias desde a última vez que vi Apollo. Dois dias longos e estranhos em que, toda vez que eu acordava, ele era o primeiro pensamento na minha cabeça. E quando eu dormia, sonhava com ele.
Estava se tornando demais. Eu começava a achar que tinha perdido o juízo. Não sabia que nutria tantos sentimentos por ele.
Mordi o lábio, respirei fundo e afundei a cabeça na água, tentando afogar aqueles pensamentos.
Será que ele estava ao menos preocupado comigo? Eleanor tinha ligado para o trabalho avisando que eu estava doente, mas ele sabia disso? E mesmo que soubesse, por que se preocuparia com algo tão pequeno? É apenas uma febre. Ele é ocupado. Tem um império inteiro para governar. Por que se importaria com uma mulher doente que não consegue nem se cuidar direito?
Ainda assim, uma parte de mim ficou emburrada com a ideia de ele não se importar.
Justo naquele momento, a porta do meu quarto se abriu.
Emergi da água, afastando o cabelo molhado para trás com uma das mãos.
— Eleanor? É você?
Nenhuma resposta.
Não pensei muito a respeito, deveria ser a Eleanor. Ninguém mais entraria no meu quarto, muito menos no meu banheiro. Os gêmeos não alcançavam a maçaneta da porta do banheiro, e Wyatt não entraria sem avisar assim. Eleanor provavelmente estava sendo dramática de novo.
Sem me virar, continuei falando, mergulhando os dedos na água. — Você acha que estou magra demais? — Perguntei, tocando meu pescoço, sentindo o quão marcada estava a minha saboneteira.
— Hum... acho que preciso comer mais. Não posso ir trabalhar desse jeito. Vou parecer um fantasma.
Encarei minhas mãos, pálidas por causa da doença.
— Não posso deixar que ele me veja assim.
As palavras escaparam, e meu rosto corou imediatamente.
Normalmente, eu não pensava em coisas desse tipo. Não me importava muito com a minha aparência, especialmente não quando estava doente. Mas agora, de repente, eu estava hiperconsciente de tudo.
Ele fez isso comigo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...