Ponto de vista de Apollo.
Me inclinei para trás na cadeira, tombando a cabeça de leve enquanto olhava para a pasta aberta à minha frente. O escritório estava tão silencioso que até o menor som ecoaria. Meus dedos tamborilavam preguiçosamente contra a superfície da mesa, um ritmo lento que não fazia nada para acalmar a tempestade dentro de mim.
Meus olhos desceram para o nome impresso na primeira página.
Jackson Kim.
A fotografia presa ao canto me encarava de volta. Ele era o bastardo que tinha ousado colocar as mãos em Grace. Só de ver o rosto dele no papel, meu maxilar travou, e a raiva que eu vinha reprimindo desde a noite passada rastejou sob minha pele.
Eu me contive por ela ontem à noite.
Se ela não tivesse me implorado para parar, se não estivesse tremendo e se agarrando a mim daquela maneira, eu teria voltado àquele banheiro e terminado o que comecei. Teria acabado com cada um deles. Mas machucá-los na frente dela só a teria aterrorizado. E assustá-la era a única coisa que eu me recusava a fazer.
Eles tinham escolhido a mulher errada para drogar, encurralar e colocar aquelas mãos imundas. Tinham escolhido a única mulher para quem nunca deveriam ter sequer olhado.
Tinham escolhido a MINHA mulher.
Sem levantar o olhar, falei:
— Relatório, Austin. Qual é o resultado do que pedi?
Austin, de pé bem na minha frente, não hesitou:
— Já cuidei de todos os envolvidos, senhor. As famílias deles também estão enfrentando as consequências. Os diretamente responsáveis estão na prisão. Já conversei com o juiz, ele vai garantir que as sentenças sejam mais severas e prolongadas pelo que fizeram à senhorita Grace.
Franzi o cenho. Eu sabia que os juízes me ouviriam, eles fariam o que eu quisesse; eu tinha tantas pessoas no poder na palma da minha mão. Mas as palavras dele não me satisfizeram.
A punição não era o suficiente pelo que fizeram a ela.
— Faça da vida deles na prisão um inferno em vida. — Ordenei, ainda encarando a fotografia.
— Não me importa o que você tenha que fazer. Não os deixe ter um único momento de paz.
Austin assentiu imediatamente:
— Sim, senhor. Vou providenciar isso. — Ele pausou, então acrescentou como se lembrasse de algo:
— Esta manhã descobri que o senhor Reed também está usando todas as suas conexões para garantir que eles paguem pelo que fizeram. Devo dizer a ele que eu cuido disso, senhor?
Os batidos dos meus dedos na mesa pararam enquanto eu olhava para ele. Meu pai sempre foi visto como um homem gentil e complacente na maior parte do tempo. Ele era descontraído, calmo; se ele tivesse uma porcentagem para o quanto era relaxado, seria de noventa e nove por cento. Mas aquele um por cento que faltava? Esse era o lado perigoso dele.
As pessoas gostavam de me pintar como o homem de coração frio, aquele que não hesitaria em machucar qualquer um que cruzasse seu caminho. Mas meu pai era mais frio e mais implacável. Quando estava furioso, ele não parava por nada até conseguir sua vingança. Mesmo que morresse, ele garantiria que a pessoa que o prejudicou continuasse sofrendo.
Balancei a cabeça. Ele estava furioso agora, e quando ficava assim, não havia como pará-lo. Não que eu quisesse que ele fosse parado.
Passei a mão pelo cabelo, soltando o ar lentamente. Uma queimação ardeu nas minhas costas quando meus dedos roçaram os arranhões que ela havia deixado esta manhã. Marcas longas e vermelhas traçavam minha pele, as unhas dela cravadas em mim quando perdeu o controle sob o meu toque. Ela nem tinha percebido o quanto estava me arranhando; estava longe demais, perdida demais no prazer para pensar em qualquer coisa.
Em vez de irritação, a memória fez algo sombrio e quente se contorcer dentro de mim. O ardor daqueles arranhões era satisfatório, um lembrete físico de quão desesperadamente ela me queria. Ela me marcou por toda parte.
Eu gostava de saber que ela tinha sido avassalada. Gostava de saber que ela mal conseguia respirar sem chamar meu nome. Gostava de saber que ela havia se entregado completamente a mim.
"Você é meu. Você é o meu homem."
Aquelas palavras rodaram na minha mente de novo, reivindicando algo dentro de mim que eu nem sabia que existia. Elas melhoraram o meu humor na mesma hora.
Depois que gozei dentro dela, o corpo dela tremeu tão violentamente que ela mal conseguia se mover. No momento em que a sequei e a deitei na cama, ela caiu no sono. Porra... mesmo depois de fazê-la gozar tantas vezes, eu queria mais. Eu não conseguia mais me controlar perto dela.
— Senhor. — Chamou Austin.
Levantei os olhos da pasta, erguendo uma sobrancelha para ele.
— O que foi?
— Há rumores circulando sobre o senhor e a senhorita Grace. Embora eu tenha usado suas conexões para manter o rosto dela fora da mídia, a maioria dos convidados no evento a viu claramente. E os funcionários — bem, todos eles sabem que ela foi a mulher que o senhor carregou nos braços. É apenas uma questão de tempo até que alguém exponha a identidade dela.
Ele pausou, então continuou com cuidado:
— Devo fazer uma declaração pública dizendo que foi um mal-entendido, que o senhor estava apenas ajudando uma funcionária?
O encarei.
— Uma funcionária? — Minha voz estava calma, mas Austin congelou mesmo assim.
— Quem disse que ela é "apenas" uma funcionária?
Os olhos dele se arregalaram:
— O... o quê?
— Você parece estar entendendo mal alguma coisa. — Disse eu, inclinando-me para trás na cadeira.
— Grace não é apenas uma funcionária. E não me importa o que pensem, ou se a verdade sobre o meu relacionamento com ela se tornar pública.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...