Ponto de vista de Grace.
Estava quente, tão quente que eu mal conseguia me sentir.
O calor subia pela minha pele igual fogo, queimando por dentro. A respiração falhava, cada gole de ar mais difícil. Encostei a mão no pescoço, no peito: coração martelando, pulso saltitando sob os dedos. As lágrimas escorriam sem parar enquanto eu lutava para me segurar.
O que estava acontecendo comigo?
Meu corpo todo tremia incontrolavelmente. Meus joelhos pareciam fracos, o calor subia pelo meu pescoço até meu rosto arder. Tentei engolir, mas até isso parecia impossível, como se minha garganta tivesse esquecido como funcionar.
Deus, eu ia morrer? Era assim que a morte se parecia? Esse calor sufocante, esse pânico avassalador, essa tontura?
Eu não queria morrer.
Eu tinha apenas vinte e três anos. Tinha planos, sonhos, coisas que ainda queria fazer. Eu não estava pronta, não tinha vivido o suficiente para terminar.
As lágrimas continuavam a cair cada vez mais rápido.
Eu realmente não queria morrer.
— Grace.
Aquela voz familiar cortou a névoa. Forcei minha cabeça para o lado, meu corpo inteiro protestando, e me vi encarando belos olhos castanhos.
Apollo.
Ele estava sentado ao meu lado no banco de trás escuro do carro, uma garrafa de água na mão, suas sobrancelhas estavam franzidas, o maxilar cerrado.
Meu olhar desceu para a linha reta e afiada de seu nariz, depois para seus lábios, entreabertos enquanto ele respirava, descendo para a linha forte de sua garganta, para seu pomo de Adão saltando quando ele disse meu nome novamente. Ele se moveu, e de alguma forma a visão fez meu estômago revirar.
Meu olhar caiu ainda mais, para seu peito, subindo e descendo firmemente, depois para suas mãos segurando a água. Deus, aquelas mãos...
— Beba. — Disse ele.
— Isso vai te acalmar.
Olhei para a água. Sim, a água devia ajudar, a água fria devia esfriar aquele calor. Era o óbvio, mas eu não quis.
Eu nem quis encostar na garrafa, o calor dentro de mim não era algo que a água pudesse resolver.
Ele inclinou a cabeça levemente, me estudando, e seus olhos suavizaram de uma forma que eu não estava acostumada. Quando falou novamente, sua voz era gentil.
— Princesa. — Ele murmurou.
— O que houve?
Meu coração deu um salto violento.
Ele sempre me chamava assim quando queria fazer amor comigo. Mas desta vez, não pareceu sexual. Não pareceu o tom dominante que ele usava na cama. Pareceu real, como se ele realmente estivesse falando sério.
Talvez fosse por isso que o som daquela palavra fez algo dentro de mim se contrair.
Eu o queria.
Eu queria que ele fizesse amor comigo.
O calor só piorou. O interior do carro parecia sufocante, minhas roupas pareciam apertadas demais, e aquela garrafa de água que Apollo segurava de repente pareceu inútil.
Eu a empurrei para longe.
Ela caiu no chão com um baque surdo, rolando para algum lugar sob o assento. Meu corpo se moveu antes que minha mente pudesse processar. Subi no colo dele, ficando numa posição que eu pudesse cavalgar, meus joelhos afundando no couro macio ao lado de seus quadris. Meus braços envolveram o pescoço dele como se meu corpo já soubesse exatamente onde queria estar.
As mãos de Apollo foram para minha cintura imediatamente, como se fosse perfeitamente natural me segurar ali.
Ele ergueu uma sobrancelha, confusão brilhando brevemente em seu rosto. Ele não me empurrou, apenas me encarou com aqueles olhos castanhos que faziam meu coração se sentir instável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...