— Vamos para a piscina? — Giulia sugeriu, tirando-me do meu transe. — A noite está linda e o ar aqui dentro está ficando pesado.
Assenti e nós três seguimos para a área externa. A água da piscina refletia as luzes da mansão, criando um ambiente calmo que contrastava com a tempestade que eu carregava por dentro. Sentamos nas espreguiçadeiras e o silêncio durou apenas alguns segundos antes de Sofia ir direto ao ponto.
— Tudo bem, Chiara. Desembuche. Você não abriu a boca durante o jantar e quase não olhou para o meu irmão. O que aconteceu? — Sofia perguntou, cruzando os braços.
— Está tudo bem, Sofia. Só estou cansada — tentei desconversar.
Giulia soltou um suspiro pesado e sentou-se na beira da espreguiçadeira ao meu lado.
— Chiara, você não consegue esconder as coisas de mim. Eu te conheço desde que éramos crianças. Seus olhos estão gritando que você chorou e sua postura está defensiva. O que o Massimo fez?
Olhei para as duas, sentindo a barreira de proteção que eu tentei erguer começar a ruir.
— Ele... nós tivemos uma briga — comecei, a voz embargada. — Ele mencionou o contrato novamente e eu acabei dizendo que achei que ele me amava. E ele deixou bem claro que nunca me prometeu amor. Que no mundo dele isso é uma fraqueza. Ele me chamou de propriedade, disse que o meu pai só está vivo por causa dele... eu estou tão confusa.
— Eu entendo o que a Sofia está dizendo, mas eu também entendo você, Chiara. Você não foi criada nesse ninho de cobras. Para você, amor é cuidado, é respeito. O Massimo é um homem quebrado, moldado pelo poder. Ele te quer, isso é óbvio, mas ele tem medo de que esse querer o torne fraco.
— Ele disse que me caçaria até no inferno se eu fosse embora — comentei, lembrando do aperto no meu queixo.
— Viu só? — Sofia deu um meio sorriso. — Um homem que não se importa simplesmente deixaria você ir e mandaria um soldado resolver o problema. O Massimo quer resolver ele mesmo. Chiara, não se entregue totalmente, mantenha sua mente sã, mas entenda que ele está lutando contra a própria natureza para te manter por perto. Talvez, com o tempo, o contrato se torne apenas um detalhe.
Ficamos ali em silêncio por um longo tempo, observando o balanço da água. As palavras delas me trouxeram um pouco de perspectiva, mas a ferida ainda estava aberta. Eu sabia que precisava jogar o jogo de Massimo se quisesse sobreviver e manter meu pai seguro. Eu seria a noiva perfeita, a "propriedade" impecável, mas guardaria meus sentimentos trancados onde ele nunca pudesse alcançar. Se ele queria um contrato, ele teria um contrato. Mas o meu amor... isso ele teria que conquistar, por mais que ele dissesse que não o queria.

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