POV: MASSIMO
O turbilhão da cerimônia havia ficado para trás, mas a sensação de que o mundo tinha mudado de eixo continuava cravada no meu peito. O salão de festas da mansão estava impecável, decorado com uma opulência que ostentava o poder dos Capone, mas os meus olhos não conseguiam focar em nenhum dos arranjos ou na prataria cara. Meu foco era exclusivo da mulher que agora carregava o meu sobrenome. Quando o mestre de cerimônias anunciou a nossa primeira dança como marido e mulher, o burburinho das centenas de convidados cessou, dando lugar aos primeiros acordes suaves da música que preencheu o ambiente.
Segurei a mão de Chiara e guiei-me com ela até o centro da pista. Puxei-a pela cintura com cuidado, sentindo o tecido rendado do seu vestido sob a minha palma. Ela colou o corpo ao meu, descansando a outra mão no meu ombro. Olhei no fundo dos seus olhos verdes, vendo o reflexo das luzes do salão e uma serenidade que me desarmava por completo.
— Sabia que esse dia chegaria — sussurrei perto do seu ouvido, mantendo o nosso ritmo lento e compassado. — Você é minha esposa agora, Chiara. Minha senhora Capone.
Ela soltou um riso baixo, aquele som doce que tinha o poder de acalmar a fera mais violenta dentro de mim. Seu olhar subiu para o meu, cheio de uma promessa silenciosa.
— É muito real, Massimo — ela respondeu, ajeitando-se ainda mais perto do meu peito. — E eu não mudaria uma única linha do que nos trouxe até aqui hoje. Você está preso a mim para sempre.
— É o único cativeiro do qual eu nunca farei questão de escapar — retruquei, permitindo-me um sorriso genuíno que guardava apenas para ela.
Dançamos sob o olhar atento de toda a alta cúpula da organização e dos nossos familiares, mas para nós dois, o salão estava completamente vazio. O calor da sua pele e o perfume delicado que ela exalava eram as únicas coisas que preenchiam o meu universo naquele instante.
Mais tarde, após o jantar ter sido servido e o clima da festa ter se tornado um pouco mais descontraído, chegou o momento dos brindes tradicionais. Matteo e Adrian, posicionados como meus padrinhos de casamento, adiantaram-se até o pequeno palco onde o microfone estava posicionado. Conhecendo os dois como eu conhecia, apertei levemente a mão de Chiara por baixo da mesa, preparando-me para o que vinha a seguir.
Matteo foi o primeiro a ajustar o microfone, pigarreando com uma postura que misturava a sua habitual seriedade com um brilho de divertimento nos olhos.
— Boa noite a todos — Matteo começou, a voz firme ecoando pelas caixas de som. — Para muitos aqui dentro, o homem sentado naquela mesa é o chefe implacável, o líder que toma decisões sem hesitar. Mas, para mim e para Adrian, ele é o nosso irmão, nosso parceiro que sempre esteve na linha de frente para nos proteger. Ver o Massimo dar esse passo hoje, ao lado de uma mulher tão extraordinária quanto a Chiara, é algo que confesso que poucos de nós prevíamos há alguns anos. Chiara, você conseguiu o impossível: trouxe luz para o lugar mais escuro da vida dele. Seja bem-vinda à família, de forma definitiva.
Adrian tomou o microfone em seguida, exibindo o seu sorriso característico, arrancando algumas risadas discretas dos convidados mais próximos.
— Eu assino embaixo de tudo o que o Matteo disse, mas preciso acrescentar um detalhe — Adrian brincou, olhando diretamente para mim. — Massimo sempre foi o homem que resolvia tudo com base na estratégia e no controle absoluto. É fascinante ver que a única pessoa capaz de desestabilizar esse controle com apenas um olhar está vestida de noiva bem ao lado dele. Chiara, a sua coragem é admirável. Desejo que vocês tenham uma vida longa, e que a lealdade que os une continue sendo a base de tudo. Um brinde ao casal!
Todos os presentes ergueram as suas taças de cristal, acompanhando o brinde com uma salva de palmas calorosa. Olhei de soslaio para os meus irmãos, assentindo com a cabeça em um gesto de agradecimento silencioso. O respeito entre nós era medido em atos, e aquele momento significava muito.
— Um casamento magnífico, Don Massimo — Bernardo começou, tragando o seu charuto antes de soprar a fumaça cinzenta para o alto. — A organização aprecia a estabilidade. Um líder casado transmite a imagem de um homem focado no futuro e na sucessão. No entanto, sabemos que alianças baseadas em sentimentos podem trazer variáveis perigosas.
— Os meus sentimentos não são uma variável, Bernardo — respondi, a voz saindo fria e cortante como o aço, fazendo o homem mais velho endireitar a postura imediatamente. — São uma constante. A minha esposa agora faz parte desta engrenagem. A lealdade dela é a minha lealdade, e qualquer questionamento sobre a posição dela será tratado como uma afronta direta à minha autoridade.
Romano deu um passo à frente, intervindo com um tom mais diplomático, percebendo a tensão que havia se instalado no ar.
— Compreendemos perfeitamente, Don Massimo. O conselho não questiona as suas decisões. Apenas zelamos pela segurança dos nossos negócios comuns. O fato de você demonstrar tanta devoção a ela nos dá a certeza de que o território estará ainda mais protegido, já que agora você tem algo ainda maior para defender.
— Exatamente — repliquei, olhando nos olhos de cada um daqueles homens sombrios que tentavam ler as minhas intenções. — Eu tenho mais motivos para esmagar qualquer um que ouse cruzar o meu caminho ou ameaçar o que é meu. O casamento não me tornou mais fraco; tornou-me consideravelmente mais perigoso. Tenham isso em mente quando retornarem aos seus respectivos distritos amanhã.
Os membros do conselho assentiram em silêncio, demonstrando a submissão que eu exigia. Dei as costas a eles sem esperar por mais formalidades e caminhei de volta pelo salão, buscando o único ponto cardeal que realmente importava para mim. Ao longe, Chiara me viu aproximar-se e sorriu, estendendo a mão na minha direção. A festa estava terminando, as luzes começavam a baixar, mas a nossa história estava apenas começando.

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