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Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 85

POV: Chiara

Depois que a porta do quarto se fechou e eu ouvi o estalo metálico da tranca, eu finalmente me permiti desabar. As lágrimas que eu estava segurando vieram em um fluxo silencioso e quente, manchando o lençol de seda que eu apertava contra o corpo. As palavras de Massimo ainda ecoavam nas paredes do meu crânio como marteladas: propriedade, contrato, fraqueza. Eu me sentia pequena, usada e, acima de tudo, terrivelmente tola. Como eu pude ser tão ingênua a ponto de confundir possessividade com proteção? De confundir luxúria com algo mais profundo?

Tomei um banho demorado, tentando lavar não apenas o suor da nossa entrega, mas a sensação de que minha alma estava sendo lentamente esmagada por ele. A água quente batia nos meus ombros, mas não conseguia tirar o frio que se instalou no meu peito. Vesti um vestido simples, mas elegante, em um tom de azul profundo, e fiz uma maquiagem leve apenas para esconder o inchaço dos olhos. Eu precisava manter a dignidade, mesmo que por dentro eu estivesse em pedaços.

Quando desci para o jantar, Giulia e Sofia já estavam acomodadas. Elas conversavam animadamente sobre algo que eu não conseguia processar. O som das risadas delas parecia vir de outro planeta.

— Finalmente, a noiva apareceu! — Sofia exclamou, mas seu sorriso vacilou por um segundo quando ela notou meu silêncio.

Sentei-me à mesa, sentindo o peso do ambiente. Poucos minutos depois, Massimo entrou na sala. O som dos seus sapatos de couro no chão de mármore fazia meu coração falhar uma batida. Ele estava impecável, como sempre, com aquele terno cinza que lhe dava uma aura de autoridade absoluta. Tentei, de todas as formas possíveis, evitar o olhar dele. Fixei meus olhos no prato de porcelana, na prataria, em qualquer lugar que não fosse o rosto do homem que acabara de me lembrar que eu era apenas um contrato.

Francesca começou a servir o jantar com sua eficiência gélida. O aroma do risoto de açafrão era maravilhoso, mas eu sentia como se estivesse mastigando vidro. Cada vez que Massimo se movia, ou que o som de seus talheres batendo no prato quebrava o silêncio, eu sentia um arrepio de desconforto.

— Sabe, Chiara — Sofia começou, tentando quebrar a tensão que ela claramente percebia entre nós — amanhã eu vou precisar voltar para casa. Meu pai já está reclamando da minha ausência e, bom, a diversão aqui tem limites. Mas eu amei passar esses dias com você. De verdade.

Eu forcei um sorriso, sentindo uma pontada de tristeza. Sofia tinha se tornado um alento naquela casa fria.

Ele caminhou até onde eu estava sentada. Prendi a respiração, esperando que ele dissesse algo rude ou que simplesmente passasse direto. Mas, para minha surpresa, ele parou ao meu lado, inclinou-se e depositou um beijo suave e demorado no topo da minha cabeça.

— Não espere acordada, bella — ele murmurou, antes de se afastar.

Eu fiquei paralisada. Atitudes como essas me deixavam completamente confusa. Como um homem podia ser tão cruel e frio em um momento, dizendo que nunca me amaria e que eu era sua propriedade, e no momento seguinte agir com uma ternura que parecia tão genuína? Esse dualismo de Massimo era a minha maior tortura. Ele dizia que o amor era uma fraqueza, mas suas pequenas atitudes mostravam que, de alguma forma distorcida, ele se importava.

Mas eu não podia me deixar levar. Não mais. Tentei afastar esses pensamentos enquanto o via sair da sala. Eu não podia me entregar emocionalmente para ele se o que ele sentia era apenas o instinto de um dono cuidando de seu bem mais precioso. Eu precisava ser mais esperta. Precisava proteger o que restava do meu coração.

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