POV: Massimo
Cheguei à empresa antes de Chiara. Assim que pisei no andar da administração, Orion veio ao meu encontro, com aquela expressão de surpresa que beirava o incômodo.
— Senhor Capone! Não o esperávamos hoje. Há algum problema com os relatórios? — ele perguntou, tentando parecer prestativo.
— Não vim para ver você, Orion. Vim para ver a Chiara — respondi, sem sequer diminuir o passo.
Ele parou no meio do corredor, com o rosto confuso.
— A Chiara? Por que o senhor quer vê-la? Existe alguma irregularidade no setor dela?
Parei abruptamente e me virei para encará-lo. O silêncio que se seguiu fez o suor brotar na testa dele.
— Desde quando eu devo satisfações das minhas ações a você? — perguntei, com a voz gélida. — Eu não tenho que explicar meus motivos para querer ver quem quer que seja nesta empresa. Ficou claro?
Orion empalideceu e começou a gaguejar, tentando contornar a situação.
— S-sim, senhor. Mil desculpas. Eu não quis ser invasivo, apenas achei que poderia adiantar algum assunto técnico...
— Apenas faça o seu trabalho — cortei-o. Caminhei até a porta do escritório e abri. Antes de entrar, olhei por cima do ombro. — Quando a Chiara chegar, informe-a de que estou aqui dentro aguardando por ela.
Fechei a porta e esperei. Não demorou dez minutos até ouvir batidas leves. Mandei entrar e ela apareceu, parecendo um pouco ofegante por causa da pressa. Eu estava sentado, mas me levantei assim que a vi.
— Feche a porta — ordenei, aproximando-me dela.
— Massimo, você não precisava vir até aqui — ela disse, deixando a bolsa sobre a mesa. — Eu poderia ter encontrado com você em outro lugar.
— Está com vergonha de ser vista comigo, Chiara? — questionei, estreitando os olhos.
— É... — ela começou, mas travou.
— Senhor Capone, está tudo bem? Aquela funcionária... ela está dando algum problema? Se precisar, posso tomar as medidas cabíveis — ele disse, tentando ganhar pontos comigo.
Olhei para ele com um desprezo que não fiz questão de esconder.
— E por que não estaria tudo bem, Orion? Cuide da sua gerência e deixe a Chiara comigo.
Sinceramente, minha paciência com esse sujeito estava se esgotando. Deixei-o para trás sem esperar resposta e fui para o estacionamento. Assim que entrei no carro, o motorista deu a partida. Chiara estava sentada ao meu lado, ainda parecendo um pouco tensa.
— Espero que você goste de comida japonesa — comentei, tentando aliviar o clima. — Conheço um ótimo restaurante com uma atmosfera que acho que vai te agradar.
— Eu amo comida japonesa — ela respondeu, e vi um pequeno sorriso surgir em seus lábios.
Era um começo. Eu a levaria para o meu mundo, pedaço por pedaço, até que ela não tivesse mais para onde fugir — e até que não quisesse mais se esconder.

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