POV: Massimo
Depois do espetáculo que Chiara deu no jantar ao mentir sobre o anel, percebi que ela tinha mais instinto de sobrevivência do que eu imaginava. Mas eu precisava agir rápido. Teria que alinhar os detalhes com ela e, principalmente, providenciar o anel de noivado mais caro e imponente que Milão pudesse oferecer. Se íamos jogar, jogaríamos para ganhar.
Chiara tinha saído da sala com Sofia para conhecer o restante da casa. Eu continuei na sala de estar com meus pais e Matteo, as doses de whisky servindo como combustível para a tensão que ainda pairava no ar. Meu pai não conseguia simplesmente aceitar.
— Uma secretária? Sem formação concluída? — Ele soltou um suspiro de escárnio, balançando o copo. — Meu filho sempre teve gostos peculiares, mas trazer uma funcionária para a mesa da família Capone é uma novidade que eu não esperava.
Olhei para ele com uma mistura de tédio e incredulidade. Meu pai ainda vivia em um século que já tinha morrido.
— Querido, não seja rude — Minha mãe interveio rapidamente, tentando apagar o incêndio. — Chiara parece ser uma moça dedicada e muito inteligente. Ela tem um brilho especial.
Mas Vittorio Capone não era homem de recuar.
— Dedicação é para os empregados, Aurora. Para estar ao lado de um homem como o meu filho, é preciso linhagem. É preciso entender o que o peso do nosso sobrenome significa — ele disse, cravando os olhos em mim. — Você entende o que está fazendo, Massimo? Ou acha que isso é apenas um romance passageiro de escritório?
— Pai — respondi, minha voz saindo fria e definitiva —, para estar ao meu lado não é preciso linhagem. É preciso apenas que eu queira que a pessoa esteja.
Selei minhas palavras depositando um beijo firme em seus lábios, ignorando a plateia. Senti o corpo dela estremecer levemente sob meu toque.
— Que lindo vocês dois juntos! — Sofia exclamou, batendo palmas e quebrando o clima tenso.
Conduzi Chiara até o sofá e servi a ela uma taça de vinho, garantindo que ela se sentisse a dona do lugar. Minha mãe e Sofia não perderam tempo e começaram a incluí-la em uma conversa animada sobre os eventos sociais da temporada. Minha mãe parecia genuinamente encantada com a simplicidade e a beleza de Chiara, enquanto Sofia já a tratava como a cúmplice que nunca teve.
Observei meu pai pelo canto do olho. Ele estava em silêncio, mas eu sabia que ele estava processando a derrota. Olhei para Chiara novamente; ela segurava a taça com elegância, tentando acompanhar o ritmo da minha família. Ela ainda não sabia o tamanho do peso que aquele sobrenome carregava, mas eu cuidaria para que nada, nem mesmo o meu próprio pai, a machucasse.

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