Tomasso começou a tremer visivelmente, as lágrimas de pavor ameaçando descer.
— Se você não quiser ter exatamente o mesmo destino trágico de Moretti, você vai pegar as suas coisas e sairá do país. Você, a sua filha e toda a sua família imunda — ordenei, a voz saindo como um trovão. — Suma da Itália. Porque se você cruzar o meu caminho novamente, ou se eu sequer ouvir o seu nome no meu território, eu não terei absolutamente nenhuma piedade. Eu vou exterminar você e toda a sua linhagem. Entendeu bem?
— Sim... sim, Massimo... — Tomasso gaguejou, a voz trêmula, agarrando-se aos braços da poltrona. — Considere... considere a sua ordem obedecida. Eu vou embora. Obrigado... obrigado pela sua misericórdia.
Virei-me de costas para ele, guardando a pistola na cintura, e olhei para os outros membros do conselho, que assistiam a tudo petrificados.
— Para que fique claro para todos os senhores: Tomasso é um rato traidor que estava aliado com Moretti. Ele sabia do ataque contra a Chiara que resultou na morte do meu pai. É apenas pela consideração que eu tinha aos velhos tempos que estou deixando este verme sair vivo da minha sala. A reunião está encerrada.
Os conselheiros se levantaram apressados, sem ousar olhar para trás. Tomasso levantou-se da poltrona de forma humilhante, tentando cobrir a calça molhada com o paletó, e praticamente correu em direção à saída, sabendo que tinha escapado da morte por um fio.
Matteo e Adrian se aproximaram de mim assim que o salão esvaziou. Enzo entrou logo em seguida, mantendo a postura firme de soldado, sem desviar os olhos da poça de sangue e da cabeça no centro da sala.
— Mande limparem essa bagunça, Enzo — ordenei, apontando com o queixo para o tapete. — E preste muita atenção no que vou te dizer agora. Preciso que você contrate e selecione a dedo mais homens para a equipe de segurança permanente desta mansão antiga. Quero reforço duplo nas guaritas, nas rotas periféricas e no monitoramento de câmeras.
— Aconteceu algo, Don? Alguma nova ameaça detectada? — Enzo perguntou, atento.
— Não. Mas assim que o meu casamento terminar na próxima semana, a minha mãe e a Sofia retornarão para morar aqui de forma definitiva. Moretti foi eliminado, a ameaça maior já está fora do mapa, os ratos estão fugindo, mas eu não vou correr o menor risco com a segurança da minha família. Quero esta propriedade transformada em uma fortaleza intransponível. Entendido?
— Entendido, senhor. Até o final do dia a nova escala de homens e o plano tático estarão prontos para a sua aprovação — Enzo respondeu, batendo a mão no peito em sinal de respeito antes de sair para cumprir as ordens.
Mais tarde naquele mesmo dia, o sol já estava começando a se pôr no horizonte quando estacionei o carro blindado em frente ao hospital central de Milão. Desci acompanhado por dois seguranças que mantive estrategicamente na recepção, e segui direto para o andar da diretoria clínica.
Bati na porta do escritório do Dr. Arcuri e entrei assim que ouvi a sua autorização. O médico, um homem de cabelos brancos e expressão experiente que cuidava do pai de Chiara, levantou os olhos dos prontuários e ajeitou os óculos.
— Senhor Capone... a que devo a honra da sua visita? — Arcuri perguntou, levantando-se para me cumprimentar.
— Vou direto ao assunto, Dr. Arcuri — respondi, sentando-se na cadeira de couro em frente à sua mesa. — Vim falar sobre o Marco. O meu casamento com a filha dele, a Chiara, está marcado para daqui a uma semana, na mansão. Eu quero que você prepare absolutamente tudo o que for necessário — seja suporte médico, oxigênio portátil, medicamentos ou uma ambulância de prontidão — para que ele possa comparecer à cerimônia e ver a filha se casar. Não quero ouvir negativas, doutor. Diga-me o que precisa e eu providenciarei.
O Dr. Arcuri soltou um leve suspiro, cruzando as mãos sobre a mesa e exibindo um semblante ponderado.
— Bom, Massimo... a recuperação do Marco tem sido surpreendente. O novo tratamento oncológico que iniciamos com os medicamentos importados que você financiou está se mostrando extremamente eficaz. Os tumores estão regredindo e a imunidade dele estabilizou. Clinicamente falando, uma saída rápida, de poucas horas, com o devido monitoramento e suporte de enfermagem que podemos enviar junto, não trará riscos graves a ele. Na verdade, o fator emocional de ver a filha no altar pode até ajudar no seu bem-estar. Eu darei a autorização e organizarei a equipe médica para acompanhá-lo.
— Massimo... eu ainda não te conheço direito — Marco começou, a voz saindo carregada de emoção contida. — Eu sei que é um homem poderoso e sei o medo que o seu nome causa nas pessoas. Mas a Chiara... ela é a minha única filha. Ela é o meu bem mais precioso neste mundo inteiro, a única coisa que me restou. Tudo o que eu espero de você, do fundo do meu coração de pai, é que você realmente a ame. Que você cuide dela e a proteja de todo o mal.
Olhei bem no fundo dos olhos cansados de Marco. Naquele momento, desarmado de toda a pose de Don, estendi a minha mão e segurei a dele com firmeza.
— Eu prometo a você, Marco, diante de tudo o que considero sagrado, que eu cuidarei da Chiara e a protegerei com a minha própria vida se for preciso — declarei, cada palavra saindo pesada e carregada de uma verdade inabalável. — Ninguém neste mundo ousará tocar em um único fio de cabelo dela enquanto eu respirar. Ela estará segura ao meu lado.
Um brilho de alívio cruzou os olhos de Marco, e ele apertou de volta a minha mão.
— E tem mais uma coisa — continuei, exibindo um esboço de sorriso. — Eu faço questão absoluta de que você esteja presente no casamento. Falei com o Dr. Arcuri e ele garantiu que, com o suporte médico adequado, você terá autorização para ir. A Chiara ficará imensamente feliz ao te ver entrar por aquele jardim.
Os olhos de Marco se encheram de lágrimas, uma emoção genuína inundando o seu rosto.
— Se o médico liberar... com certeza eu irei, Massimo. Esse é o maior sonho da minha vida sendo realizado... ver a minha filha entrar vestida de noiva, casando-se com um homem bom que promete protegê-la. Eu estarei lá, meu filho. Nem que seja a última coisa que eu faça.
Fiquei mais alguns minutos conversando com ele, alinhando os detalhes do transporte que eu enviaria para buscá-lo no dia da cerimônia. Ao deixar o hospital naquela noite, olhando para as luzes acesas de Milão, senti que a última peça do quebra-cabeça estava no lugar. O traidor do sul estava escorraçado, Moretti estava morto e o pai da Chiara estaria lá para abençoar a nossa união.

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