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Massimo - A Obsessão do Don romance Capítulo 104

POV: MASSIMO

O riso leve de Sofia e as palavras calorosas de minha mãe, Aurora, ainda ecoavam no pequeno círculo que havíamos formado ao redor da mesa principal. Por um breve segundo, a ilusão de que éramos apenas uma família normal celebrando um noivado em um evento de alta sociedade pareceu quase real. Chiara tinha um brilho suave nos olhos, as bochechas levemente coradas pelo elogio de Aurora, e minha mão continuava firmemente ancorada em sua coxa, garantindo que ela se sentisse segura.

Mas a segurança, no nosso mundo, é uma linha fina que se rompe sem aviso prévio.

O primeiro sinal não foi um grito, nem o som de um disparo. Foi o estilhaçar violento de uma das imensas vidraças decorativas nas laterais do salão. O som agudo do vidro temperado chovendo sobre os convidados foi imediatamente seguido pelo estrondo ensurdecedor de rajadas de submetralhadoras.

O caos se instalou em uma fração de segundo. O salão de festas, antes repleto de sofisticação, transformou-se em um abatedouro de pânico. Gritos histéricos rasgaram o ar, pessoas se jogavam ao chão derrubando mesas, pratos e taças de cristal. O cheiro de pólvora e o estalo seco dos projéteis atingindo as paredes de mármore preencheram o ambiente.

— Emboscada! — a voz de Enzo rugiu ao meu lado antes mesmo que eu pudesse processar o primeiro movimento. Ele surgiu do nada, com a pistola já empunhada, movendo seu corpo para servir de escudo. — Don Massimo, precisamos tirar o senhor e a família daqui agora! O perímetro lateral foi quebrado! Moretti mandou os homens dele!

Minha reação foi puramente instintiva. No segundo em que o primeiro tiro ecoou, minha mão esquerda puxou Chiara para baixo da mesa, enquanto a minha mão direita já sacava a arma velada sob o meu paletó. Olhei para trás, vendo minha mãe e Sofia encolhidas, o terror estampado em seus rostos.

— Fiquem abaixadas! — ordenei, a voz saindo como um trovão por cima do barulho dos disparos.

Três homens vestindo roupas escuras e táticas avançaram pela brecha do vidro quebrado, atirando sem mirar, tentando espalhar o máximo de mortes possível para desestabilizar nossa segurança. Ergui minha arma e disparei duas vezes. O primeiro homem caiu com um buraco no peito; o segundo cambaleou para trás quando a bala perfurou seu pescoço.

Mas os homens de Moretti eram muitos, e eles sabiam exatamente quem vieram buscar.

Pelo canto do olho, vi o movimento. Um quarto atirador surgiu por trás de uma pilastra tombada, a menos de dez metros de nós. Ele não estava atirando a esmo. Ele estabilizou a arma e apontou o cano diretamente para o vestido preto de Chiara, que tentava se proteger ao meu lado. O tempo pareceu desacelerar. Eu estava no meio de um movimento para girar o meu corpo e protegê-la com o meu próprio peito, mas eu sabia, com uma clareza desesperadora, que não chegaria a tempo. O dedo do atirador começou a pressionar o gatilho.

Foi então que um vulto se jogou na frente.

Vittorio Capone, meu pai, surgiu como uma barreira rústica entre o cano da arma e a minha noiva. O estampido seco da arma do inimigo ecoou, e o impacto da bala atingiu em cheio o centro do peito de Vittorio. Ele soltou um gemido sufocado, o corpo cambaleando para trás antes de desabar pesadamente contra o chão de mármore.

A fúria que me dominou foi algo além do humano. No mesmo milésimo de segundo em que meu pai foi atingido, alinhei a mira da minha pistola e disparei contra a testa do atirador. A cabeça dele estourou para trás, e o corpo caiu como um saco de batatas, sem vida.

Olhei para o chão, vendo o sangue começar a poçar ao redor do corpo do meu pai. O choque paralisou Chiara por um segundo, e minha mãe soltou um grito dilacerante ao ver o marido caído.

— Enzo! — gritei, agarrando o braço do meu chefe de segurança com uma força brutal. — Tire a Chiara, a minha mãe e a Sofia daqui agora! Use a passagem de serviço do subsolo! Leve-as direto para o carro blindado e não pare por nada!

— Massimo, eu não posso te deixar aqui sozinho... — Enzo começou a protestar, mas eu o cortei com um olhar que prometia a morte.

— Vá, porra! Proteja as três com a sua vida! É uma ordem! — berrei.

Chiara me olhou, os olhos arregalados, segurando minha mão com força.

A mão dele perdeu as forças, escorregando pelo meu peito e caindo inerte contra o chão. Os olhos de Vittorio Capone fixaram-se no teto do salão, sem brilho, vazios. O grande Don do passado exalou seu último suspiro nos meus braços. Ele não resistiu. Morreu ali, no chão de um evento de caridade, pagando com sangue os erros que cometera contra o próprio filho.

Fechei os olhos dele com a palma da mão, sentindo um peso esmagador se instalar nos meus ombros. A dor da perda misturou-se ao ódio puro. Vittorio estava morto, mas a Família Capone ainda tinha um Don. E eu estava muito vivo.

Levantei-me lentamente, o terno manchado com o sangue do meu pai. Peguei o rádio comunicador no meu bolso interno, minha voz saindo fria e cortante.

— Matteo. Matteo, você está me ouvindo? — chamei.

— Estou na lateral do salão, Massimo! Estamos empurrando os desgraçados para o estacionamento! Quantas baixas? — a voz dele veio através do chiado, ofegante.

— Meu pai está morto, Matteo — descarreguei a verdade sem anestesia. Houve um silêncio chocado do outro lado do rádio. — Moretti cruzou a linha final. Quero o ataque controlado agora. Matem todos os que invadiram. Não quero nenhum vivo para contar história. Limpem o salão.

— Entendido, Don Massimo — a voz de Matteo voltou, agora desprovida de qualquer humor, tomada por uma fúria idêntica à minha. — Vou caçar até o último deles.

Recarreguei minha pistola com um novo pente de munição, ouvindo o som dos disparos diminuir do lado de fora à medida que meus homens executavam as ordens e eliminavam os sobreviventes da emboscada. O ataque estava sendo controlado com uma violência sistemática. Os homens de Moretti acharam que nos pegariam desprevenidos, mas encontraram um exército pronto.

Caminhei em direção à saída, pisando nos cartuchos defumados que cobriam o chão. O show de Moretti tinha acabado, mas a minha temporada de caça estava apenas começando. Ele queria uma guerra? Ele a teria. E eu não pararia até ver a cabeça dele decorando a minha mesa.

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