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Marido, Não Sonhe Em Acabar! romance Capítulo 9

Os olhos de Valentina estavam tão escuros quanto tinta, sem revelar nenhuma emoção. Seus lábios se moveram ligeiramente antes de ela dizer: "Por causa do acidente de carro que matou sua mãe?"

"Sim, Jorge tinha apenas 12 anos na época e seu pai era um mulherengo incorrigível, sempre fora de casa, deixando mãe e filho sozinhos na Família Lima, sem nenhum apoio. A morte de sua mãe foi um grande golpe para ele, quase o levando junto. Se não fosse por uma garota que ficou ao seu lado, nenhum de nós veria o Jorge de hoje."

Valentina murmurou: "Então a mulher que Jorge quer proteger é a garota que lhe deu esperança naquela época."

"Exatamente." - Lélio confirmou com seriedade, sem nenhum traço de brincadeira: "Na época, Jorge estava completamente fechado para o mundo, e não falava com ninguém. Só mais tarde fiquei sabendo que a moça havia escrito mais de trezentas cartas para ele sem receber resposta. Foi a partir de então que Jorge começou a levá-la em seu coração."

Valentina permaneceu em silêncio, olhando para fora do carro. A história de Jorge e daquela menina era linda, como um conto de fadas, onde um príncipe perdido era salvo por uma princesa gentil e encantadora.

Era uma pena que o príncipe tenha sido roubado por ela, uma vilã fria e impiedosa.

Diante do silêncio de Valentina, Lélio decidiu não prosseguir com o assunto. Antes de sair do carro, ele ouviu a voz dela baixa e um pouco aguda:

"Você e o Jorge são realmente bons amigos. Na próxima vez que você for trair alguém, se o Jorge não ficar de vigia, ele vai estar desapontando todo o espetáculo que você fez hoje. Que não façam papel de Judas."

"..."

Lélio começou a suar frio ao ser ridicularizado.

Quando se tratava de palavras, ele se considerava imbatível.

Mas ele não podia competir com a Sra. Serpa, uma verdadeira líder no campo jurídico, proprietária de um grande escritório e uma figura respeitada na profissão de advogado na Cidade Nova. Ele, um amador, não tinha como vencer uma profissional.

Depois que Lélio saiu, o pequeno vagão do veículo ficou mergulhado em um longo silêncio.

Curiosa, ela foi perguntar a Valentina, que respondeu secamente: "Compensação pelo trabalho duro."

Lizete estava um pouco chateada. Afinal, ela não só havia fracassado em sua missão de espionagem, como também havia sido enganada por Jorge e pelo idiota do Lélio - além de ter absorvido uma dose inesperada de fofocas pessoais de sua chefe. Sentindo-se em dívida, ela insistiu em levar Valentina para tomar um drinque, ameaçando que, se ela se recusasse, se jogaria de uma ponte.

Valentina riu da piada e aceitou.

À noite, as duas saíram do escritório e se dirigiram a um bar.

O tempo estava ficando mais frio, com ventos fortes do lado de fora, mas o ambiente interno era quente e aconchegante.

Assim que se acomodaram em um dos sofás, Valentina tirou seu casaco branco claro. Lizete, que estava ao lado dela, não conseguiu conter um pequeno grito de surpresa. Valentina ergueu os olhos e a encarou, impassível.

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