Ela estava deitada na cama, desamparada, com os dedos tateando sob o travesseiro na tentativa de encontrar o celular. O braço de Jorge passou por cima do ombro dela e o pegou primeiro.
"Alô."
Sua voz ainda tinha a rouquidão sonolenta de alguém que acabara de acordar, dando-lhe um tom preguiçoso e sensual.
Do outro lado da linha, houve um momento de silêncio antes que uma voz feminina jovem e hesitante soasse: "Oi... Diretora Serpa?"
As sobrancelhas bem desenhadas de Jorge se franziram imediatamente antes dele jogar o celular no chão ao lado de Valentina.
"É para você."
Era Lizete, dizendo que todos estavam esperando na reunião da manhã há mais de meia hora e que ela havia decidido ligar para saber se tinha acontecido alguma coisa.
Valentina apertou as têmporas, sentindo uma leve dor de cabeça. Perder tempo por causa de uma noite com Jorge? Isso era simplesmente inaceitável.
"Desculpe-me pelo atraso. Dispense a reunião de hoje e continue com seus negócios. Eu pedirei para enviarem um comunicado mais tarde."
"Certo, então vou encerrar a chamada, Diretora Serpa."
Lizete desligou o telefone às pressas e Valentina achou estranho. Mas ela supôs que era apenas porque Jorge havia atendido o telefone primeiro.
Mas quando ela chegou à empresa, notou algo incomum: os olhares. Todos pareciam lançar olhares furtivos e curiosos para ela, como se houvesse algo sobre o que conversar.
Depois de atender a algumas ligações de clientes, Lizete entrou em seu escritório com uma xícara de café em uma das mãos e uma pilha de documentos na outra, colocando tudo sobre a mesa.
Valentina pegou seu café e tomou um gole, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Lizete já estava na porta, pronta para fugir.
"Diretora Serpa, se não precisar de mais nada, já estou saindo."
A expressão de culpa em seu rosto era tão óbvia que Valentina bateu os dedos na mesa e disse em um tom calmo, mas firme:
Era óbvio que todos estavam ansiosos para descobrir quem era o homem que havia compartilhado a noite com ela.
E Jorge, com toda a sua presença magnética, era um espécime raro. Mulheres de todos os tipos gravitavam em torno dele, o que explicava por que Valentina sempre tinha novas fotos comprometedoras dele para chantageá-lo.
Mas, naquele momento, a única coisa que ela sentia era um incômodo latejar nas têmporas.
Valentina sempre foi extremamente reservada em relação à sua vida pessoal e, acima de tudo, não queria que ninguém soubesse de seu casamento secreto com Jorge.
Lizete, ao notar a expressão impassível de sua chefe, sentiu seu desespero aumentar.
Sua chefe era do tipo que, quanto mais calma parecia por fora, mais furiosa ficava por dentro - e isso nunca acabava bem.
Ela se apressou em tentar explicar, mas Valentina a interrompeu sem paciência: "Vou lhe dar uma chance de consertar isso."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Marido, Não Sonhe Em Acabar!