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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário romance Capítulo 214

“Algumas verdades mudam tudo… mesmo quando ainda vivem em silêncio.”

Elena Rossi

Elena Rossi sempre acreditou que certos dias tinham o estranho poder de dividir a vida em dois momentos distintos: o antes e o depois. Naquela noite, enquanto se preparava diante do espelho da mansão Cavallari, ela ainda não sabia exatamente em qual daqueles dois lados estaria quando tudo terminasse.

Elena permaneceu alguns segundos parada diante do espelho, observando o próprio reflexo com uma atenção que misturava nervosismo e incredulidade.

A mulher que a encarava do outro lado parecia ao mesmo tempo familiar e diferente.

O vestido preto que ela vestia era elegante e delicado, ajustado ao corpo na medida exata. O tecido moldava suas curvas com suavidade, acompanhando a linha esbelta de sua cintura e das pernas, terminando alguns centímetros acima dos joelhos. As mangas longas equilibravam o visual com uma sofisticação discreta, enquanto a parte da frente mantinha uma elegância quase clássica.

Mas as costas…

As costas estavam completamente nuas.

O corte profundo revelava a pele clara de forma sensual, porém refinada, criando um contraste perfeito entre elegância e ousadia.

Elena respirou fundo.

Seus cabelos ruivos estavam presos em um coque elegante na altura do pescoço, deixando à mostra o colar delicado de ouro que repousava contra sua pele, com uma pequena gota brilhante que combinava perfeitamente com o par de brincos que usava.

Beatrice havia insistido naquele conjunto. Na verdade, aquele par de jóias tinha um significado muito maior. Pertenceram a Francesca, mãe dos dois. Elena fechou os olhos e lembrou do exato momento em que sua cunhada a presenteou com ele.

— Minha mãe me entregou essa joia pouco antes de morrer — Beatrice havia dito, com a voz mais baixa do que o habitual. — E me pediu que eu a entregasse à mulher que fosse capaz de ensinar Damian a amar.

Elena abriu novamente os olhos e levou a mão à joia com cuidado, sentindo o peso daquele objeto. Um pequeno sorriso surgiu lentamente nos lábios de Elena quando a lembrança voltou com clareza à sua mente.

Ela ainda conseguia recordar com precisão o dia em que entregou a Damian a pequena medalha que havia pertencido à sua mãe, um gesto simples que, na época, parecia apenas uma forma sincera de agradecer por tudo o que ele estava fazendo por Sophia.

Naquele momento, ela havia escolhido aquele objeto com cuidado, porque não era apenas uma jóia ou um enfeite religioso.

Era algo que carregava memória, afeto, uma parte silenciosa da sua própria história. E, justamente por isso, a reação de Damian naquele dia havia sido… difícil de esquecer.

Ele foi frio, hostil, grosseiro, ofensivo.

Aceitou o objeto com uma expressão impassível e o tratou com uma indiferença que, por alguns segundos, fez Elena se arrepender de ter lhe entregado algo tão importante. Naquele instante, ela acreditou que talvez tivesse sido um erro compartilhar com ele algo tão valioso.

Mas o tempo havia revelado uma verdade completamente diferente.

Porque o que ela jamais imaginou descobrir era que Damian não apenas havia guardado aquela medalha, ele a carregava consigo.

Sempre.

Ela ainda se lembrava perfeitamente da surpresa que sentiu no dia em que percebeu aquilo pela primeira vez.

A medalha da sua mãe guardada dentro da carteira dele. Escondida entre cartões e documentos, como se fosse apenas mais um objeto comum, algo sem importância que qualquer pessoa poderia carregar no bolso sem pensar duas vezes.

Mas Elena sabia que não era assim.

Porque a maneira como Damian a mantinha ali, protegida, preservada, cuidadosamente guardada revelava muito mais do que ele jamais permitiria admitir em voz alta.

Naquele momento, ela havia entendido algo profundamente importante sobre ele.

Damian Cavallari podia parecer um homem frio, distante e impenetrável para o resto do mundo. Mas havia certas coisas que ele simplesmente nunca deixaria ir.

E, de alguma forma silenciosa e inesperada ela havia se tornado uma delas.

Elena passou a mão levemente pela frente do vestido, tentando acalmar a ansiedade que apertava seu peito.

Hoje não era apenas o dia do evento. Era o dia em que Damian Cavallari seria homenageado. O dia em que a Cavallari Corporation receberia reconhecimento público pelo legado que Damian vinha reconstruindo desde que assumiu o império da família.

Mas para Elena…

— De certa forma… vai mesmo.

Nesse momento a porta se abriu novamente e Beatrice entrou no quarto.

O vestido dourado que ela usava era justo e elegante, moldando suas curvas com uma confiança que parecia natural para ela. O tecido brilhava suavemente sob a luz do quarto, transformando sua presença em algo impossível de ignorar.

Ela parou na porta e analisou Elena de cima a baixo.

Então um sorriso ladino apareceu em seus lábios.

— Damian não vai aguentar até o fim do evento.

Elena arregalou os olhos imediatamente sentindo o rosto corar com o comentário malicioso da cunhada.

— Bia!

Beatrice deu de ombros, completamente satisfeita com a reação. Já Sophia olhou de uma para outra, completamente confusa.

— O que foi?

Elena desviou o olhar rapidamente para a irmã, tentando recuperar a compostura.

— Nada, meu amor — disse, pegando a mão dela. — Vamos. O tio Damian está esperando.

Sophia assentiu, ainda curiosa, mas animada demais para insistir.

As três saíram do quarto juntas.

Enquanto caminhavam pelo corredor da mansão, o coração de Elena batia cada vez mais rápido. Não apenas por causa do evento, nem pelo orgulho que sentia de Damian. Mas porque naquela noite depois que o mundo inteiro conhecer o homem que ele era, ela finalmente contaria a ele sobre o pequeno milagre que crescia silencioso dentro dela.

E Elena sabia, no fundo do coração, que depois daquela conversa… nada na vida deles jamais seria o mesmo.

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