“O amor verdadeiro tem instinto. Ele sempre sabe onde procurar.”
Damian Cavallari percebeu que algo estava errado no momento em que voltou os olhos para o lugar onde havia deixado Elena.
Ela não estava mais lá.
O salão continuava cheio de conversas elegantes, música suave e o tilintar constante das taças de cristal sob a luz dos grandes lustres, mas por um instante tudo pareceu distante demais enquanto ele procurava por ela entre os convidados.
Damian finalmente conseguiu se afastar do grupo de investidores estrangeiros que o cercava havia alguns minutos.
Ele havia respondido às perguntas com a mesma confiança tranquila que o transformava em um dos empresários mais respeitados daquele ambiente. Falou sobre projetos, estratégias e possíveis parcerias futuras enquanto mantinha o sorriso controlado e o olhar atento de quem sabia exatamente o que estava fazendo.
Mas, mesmo enquanto discutia números e planos milionários, uma parte da atenção dele permanecia em outro lugar.
Ou melhor… Em outra pessoa. Era quase involuntário.
De tempos em tempos, seus olhos se desviavam brevemente da conversa e percorriam o salão em busca de uma única figura específica.
Elena.
Quando finalmente encerrou a conversa com um aperto de mão firme e um comentário diplomático sobre futuros encontros, Damian voltou o olhar imediatamente para o ponto do salão onde havia deixado Elena poucos minutos antes.
E foi nesse instante que algo dentro dele mudou.
Ela não estava mais lá.
Por um momento, ele apenas permaneceu parado, olhando para aquele espaço vazio como se estivesse esperando que ela simplesmente reaparecesse entre os convidados. Mas isso não aconteceu.
Damian franziu levemente a testa.
Talvez ela tivesse apenas se afastado alguns passos. Talvez estivesse conversando com Beatrice, ou com Sophia. Ou com algum dos convidados que se aproximavam constantemente para cumprimentá-la.
Ele voltou a percorrer o salão com os olhos.
Uma vez.
Depois outra.
Mas a sensação que começou a se formar no peito dele não desapareceu. Muito pelo contrário. Aquela inquietação silenciosa, difícil de explicar, parecia crescer a cada segundo que passava sem que ele a encontrasse.
Era um instinto. E Damian Cavallari havia aprendido ao longo da vida a nunca ignorar seus instintos.
— Com licença.
A frase saiu naturalmente enquanto ele se afastava dos investidores com a mesma elegância calma que usava em qualquer negociação importante. Sem esperar resposta, ele se virou e começou a caminhar pelo salão com passos tranquilos, embora por dentro algo estivesse claramente acelerando.
Poucos segundos depois ele se aproximou da esposa do empresário italiano com quem Elena conversava pouco antes.
— Senhora Portinari — cumprimentou ele com um leve aceno de cabeça. — Elena estava com você há alguns minutos. Você a viu?
A mulher pareceu ligeiramente surpresa com a pergunta. Então um sorriso um pouco constrangido surgiu em seus lábios.
— Ah… sim, senhor Cavallari. Ela estava aqui comigo.
Damian percebeu imediatamente a pequena hesitação na voz dela. E o coração dele apertou.
— E? — perguntou com, a voz mais baixa agora.
A mulher ajeitou discretamente a bolsa no braço antes de responder.
— Ela parecia um pouco… pálida — explicou com cuidado. — Disse que talvez precisasse de um pouco de ar.
O coração de Damian acelerou. Não foi um gesto visível, mas por dentro a reação foi imediata.
— Obrigado.
Ele mal terminou a frase antes de se afastar novamente. Agora seus olhos percorriam o salão com muito mais atenção, movendo-se de grupo em grupo, de mesa em mesa, buscando por qualquer sinal dela entre os convidados.
Quando se aproximou de Beatrice, ela conversava animadamente com uma curadora do Museu do Louvre, explicando algo sobre uma futura exposição que a fundação Cavallari pretendia apoiar.
— Beatrice.
Beatrice, que observava a cena com atenção silenciosa, relaxou imediatamente.
— Vou buscar um pouco de água para você — disse, tocando o braço de Elena com carinho antes de se afastar. — Sabe que não pode comer qualquer porcaria Elena, precisa se cuidar.
Elena arregalou levemente os olhos ao ouvir o comentário da cunhada, enquanto Damian lançou um olhar confuso para Beatrice por um breve momento, claramente sem entender a observação, antes de simplesmente ignorá-la e voltar toda a sua atenção para Elena.
Quando ficaram praticamente sozinhos por um instante no meio do salão, Damian não soltou Elena.
Pelo contrário.
Ele a puxou ainda mais para perto. Os braços dele envolveram a cintura dela enquanto ele inclinava o rosto para beijar o pescoço dela de forma lenta e possessiva. A voz dele soou baixa contra a pele dela.
— Quero que essa noite acabe logo…
Elena sentiu um arrepio percorrer sua coluna.
— Por quê? — perguntou em um sussurro.
Damian levantou o rosto apenas o suficiente para olhar diretamente nos olhos dela. E então sorriu. Aquele sorriso que sempre fazia o coração dela acelerar.
— Porque eu quero voltar para casa — disse ele.
Os dedos dele deslizaram lentamente pela cintura dela.
— E fazer amor com você.
Elena sentiu o calor subir ao rosto. E sem perceber, a mão dela voltou instintivamente ao próprio ventre.
E, pela primeira vez desde que Valentina havia atravessado aquele salão como um fantasma do passado… o medo pareceu um pouco menor.
Porque naquele instante havia apenas duas coisas que realmente importavam para Elena Rossi. O homem que a segurava nos braços.
E o segredo que ele ainda não sabia… que iria transformar a vida deles para sempre.

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