"Existem dois tipos de homens perigosos: os que gritam… e os que falam baixo antes de destruir tudo."
Quando Valentina desceu do palco, o salão ainda estava ecoando aplausos.
Para a maioria das pessoas ali, aquilo havia sido apenas uma homenagem inesperada. Mas Damian Cavallari sabia reconhecer uma provocação quando via uma.
E Valentina acabava de declarar guerra.
Valentina entregou o microfone ao mestre de cerimônias e desceu do palco com a mesma elegância calculada com que havia subido. E caminhou diretamente até Damian. Quando parou diante dele, estendeu a mão.
— Parabéns, Damian.
Valentina se aproximou dele com passos elegantes, como se o palco e o salão ainda lhe pertencessem, com o sorriso perfeitamente treinado voltando ao rosto enquanto parava diante de Damian e estendia a mão para cumprimentá-lo.
Mas Damian não retribuiu o gesto.
Apenas a observou por um breve instante, com os olhos escuros percorrendo o rosto dela com uma frieza tão absoluta que o ar entre os dois pareceu esfriar alguns graus. Então inclinou levemente a cabeça.
— O que exatamente você pretendeu com tudo aquilo, Valentina?
A pergunta veio direta, sem cordialidade ou qualquer tentativa de disfarçar o desprezo.
Valentina sustentou o olhar dele por um segundo e então soltou uma pequena risada baixa, carregada de ironia.
— Nossa, Damian… — disse, arqueando levemente uma sobrancelha enquanto cruzava os braços com elegância — depois de tantos anos você ainda sente mágoa do passado?
Por um breve instante o silêncio se instalou entre os dois.
Então Damian inclinou a cabeça para o lado e um sorriso lento surgiu em seus lábios. Mas não era um sorriso gentil. Era um sorriso de desprezo.
— Mágoa? — repetiu, quase divertido.
Os olhos dele deslizaram sobre ela com uma calma perigosa antes que ele acrescentasse, em um tom baixo e perfeitamente controlado:
— Você não significa absolutamente nada para mim, Valentina.
A frase caiu entre eles como uma lâmina. Mas Damian ainda não havia terminado. Ele deu um pequeno passo para mais perto, com a expressão tranquila demais para alguém que acabava de dizer algo tão brutal.
— Na verdade — continuou ele com naturalidade — o que tivemos no passado foi apenas um relacionamento… sem qualquer relevância.
Por um segundo inteiro Valentina ficou imóvel. E então a raiva apareceu. Não de forma explosiva. Mas o suficiente para fazer o sorriso desaparecer completamente do rosto dela.
— Que curioso — rebateu ela com frieza — porque, se foi tão irrelevante assim, você parece bastante incomodado em falar sobre isso.
Damian a observou por um instante. E então riu.
— Incomodado? — repetiu ele.
O olhar dele agora estava mais frio e mais duro.
— Não, Valentina. Incomodado eu ficaria se aquilo tivesse significado alguma coisa.
A expressão dela endureceu.
— Você sabe muito bem que significou.
Damian arqueou levemente uma sobrancelha. E o sorriso que surgiu em seguida foi ainda mais cruel.
— A única coisa que significou — disse ele calmamente — foi que eu era jovem o suficiente para ainda cometer alguns erros.
O silêncio ao redor deles ficou pesado.
Algumas pessoas próximas começaram a perceber que havia algo errado naquela conversa. Mas Damian não parecia preocupado.
Ele observou Valentina por mais um segundo. E então concluiu, com uma tranquilidade devastadora:
Ele não tirou os olhos de Valentina nem por um segundo. Os olhos dele agora estavam escuros de uma maneira que poucas pessoas ali já tinham visto.
— Você continua sendo uma tola, Valentina.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Posso saber o porquê?
Damian se inclinou ligeiramente para frente, aproximando-se o suficiente para que apenas ela pudesse ouvir o que ele diria a seguir. O sorriso que surgiu em seus lábios não tinha absolutamente nada de gentil.
— Porque você acabou de cometer o pior erro da sua vida.
Valentina não respondeu. Mas pela primeira vez o sorriso dela vacilou.
Damian continuou, com uma voz calma demais para alguém que acabava de ser provocado daquela maneira.
— Você tentou mexer com aquilo que é meu.
Ele inclinou um pouco mais a cabeça.
— E eu tenho um defeito muito específico quando alguém faz isso.
O olhar dele ficou ainda mais frio.
— Eu não apenas me defendo. Eu destruo.
Valentina ficou imóvel. E Damian ainda acrescentou, com a mesma tranquilidade devastadora:
— Então aproveite essa noite, Valentina. Porque quando eu terminar com você ninguém neste salão vai lembrar que você um dia existiu.
E, pela primeira vez desde que havia subido naquele palco, Valentina sentiu medo de verdade.

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