As palavras de Hugo fizeram Rosa corar profundamente.
Hugo a observou, com sua postura de menina, de cabeça baixa e os pés juntos, como uma criança que fez algo errado, e não pôde deixar de suspirar por dentro.
Ele sentia que, como tio, estava cada vez mais sem limites. Desde que se casou com Julieta, até seu olhar para as pessoas havia se tornado mais suave. O homem decidido e implacável de antes parecia ter morrido.
"De qualquer forma, ele é seu amigo. Já que você quer que eu o ajude, vou te ajudar desta vez. Mas que não se repita. Se esse Luan se meter em problemas de novo, não venha me procurar."
Enquanto dizia isso, Hugo não sentia muita firmeza em suas próprias palavras. Rosa, ao ver que ele concordava em ajudar, acenou com a cabeça repetidamente.
"Pode ficar tranquilo, tio. O Luan nunca mais vai causar problemas, eu garanto."
Ela levantou três dedos, fazendo um juramento.
Na casa de entretenimento, Eder e seus guarda-costas vinham a cada duas horas perguntar a Luan se ele já havia pensado bem. Luan, com o canto da boca sangrando, era ignorado por todos.
Ele não pôde deixar de sorrir amargamente. Não era que ele não quisesse ficar com a Sra. Geovana, era ela quem não o queria mais. Aquelas pessoas não sabiam de nada.
Com certeza, como a Sra. Geovana parou de gastar dinheiro com Eder, ele presumiu que Luan e ela haviam brigado. A Sra. Geovana o mandara buscá-lo na esperança de que ele voltasse.
Mas se Eder soubesse que ele não tinha mais valor algum para a Sra. Geovana, certamente o trataria como os outros modelos que trabalhavam para ele, forçando-o a sair com outras pessoas todos os dias, talvez até a atender clientes ainda mais nojentos.
Quando Eder e seu grupo entraram no camarote pela quarta vez, Luan já estava sem forças, à beira do desmaio. Eder sentou-se à sua frente e lhe deu um chute.
"Levanta, para de fingir que está morto. Estou esperando sua resposta."
Luan viu Eder e, com esforço, conseguiu se sentar. Ele cuspiu mais um pouco de sangue, mas Eder ignorou.
"Não venha se fazer de coitado na minha frente. Você deveria usar essa aparência para fazer a Sra. Geovana sentir pena de você."
Luan olhou para Eder e deu um sorriso desolado.
"Se eu te dissesse que foi a Sra. Geovana quem não me quis mais, você acreditaria?"
Eder encarou Luan por alguns segundos, com uma expressão de frustração e um toque de sarcasmo.
Quer sair? Eu concordo. Se conseguir me pagar três milhões, eu te deixo ir. A partir daí, não teremos mais nada a ver um com o outro. Nunca mais vou te incomodar, e você corta os laços com todos neste ramo. E que eu não te veja mais trabalhando nisso, ou vou garantir que você não consiga."
As palavras de Eder fizeram o coração de Luan gelar completamente.
"Eder, eu te segui por tantos anos, pelo menos te dei bastante lucro. Pedir três milhões, eu realmente não tenho como conseguir.
E foi a Sra. Geovana que não me quis mais, não fui eu. Você me manda pedir desculpas a ela, eu já pedi, mas ela não quis ouvir. Eder, que tal esperar até eu encontrar um emprego e juntar o dinheiro para te pagar?"
Eder olhou para Luan com um sorriso irônico: "Esperar você juntar o dinheiro? Isso seria no dia de São Nunca. Como você pretende ganhar? Vai arrumar um emprego por três mil por mês?
Você quer me pagar três milhões, quando pretende terminar de pagar? Se não quiser ficar com a Sra. Geovana, tudo bem. Eu posso te ajudar a encontrar uma mulher ainda melhor que ela.
Não importa o quanto ela te dê, você me paga metade todo mês, até quitar os três milhões. O que acha?"
Essa frase deixou Luan completamente sem esperança. Ele não podia mais procurar mulheres como a Sra. Geovana. O círculo dessas mulheres que bancavam rapazes mais novos era bem conhecido.

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