Se Ismael Reis não tivesse vindo, ele jamais teria a chance de ver aquelas bugigangas de dez reais que se vendem em pacotes de três.
Ele também não fazia ideia de que as pequenas e delicadas criações feitas por aqueles artesãos de redes sociais podiam ser tão bonitas, a ponto de, ao perguntar o preço, não ter certeza do que significavam cem reais.
Rosa Luz, em comparação com esses jovens mestres de famílias tradicionais, era uma herdeira rica consideravelmente mais pé no chão.
Especialmente ao ver as pupilas de Ismael e Alice Reis se dilatarem ao negociar preços com os vendedores ambulantes – era como um diálogo entre alienígenas e terráqueos –, ela ria tanto que mal conseguia se manter em pé.
Quando os vendedores diziam que o preço era trinta, Ismael instintivamente adicionava "mil" no final; ao ouvir quinhentos, ele perguntava da mesma forma se eram quinhentos mil.
Os vendedores ficavam pasmos. Rosa não parou de rir durante todo o caminho. As preocupações que Cláudio Amaral lhe causara pareciam se dissipar naquele momento.
"Rosa, é melhor a gente não abrir mais a boca."
Sentia que, por onde passavam, as pessoas os olhavam como se fossem monstros.
Alguns, depois que eles perguntavam o preço e não compravam, chegavam a revirar os olhos com um ar de desprezo.
"Não se importem, a nossa Cidade Begônia é assim. O povo vive em paz e com alegria, e não há tanta reverência pelos ricos, porque cada um tem a sua própria vida.
Todos se esforçam no trabalho para ganhar o sustento com seu próprio suor e viver a vida que desejam. Ninguém vai bajular alguém só por ser rico, porque todos pensam: ‘O seu dinheiro é problema seu, o que eu ganho é mérito meu’.
Se você não pode me trazer benefícios, então eu não preciso te respeitar. Na maioria das vezes, os vizinhos são todos muito amigáveis.
Em feriados como Natal e Ano Novo, os parentes se visitam. A vida de todos é relativamente harmoniosa."
Essa já era a explicação mais realista e adequada que ela poderia dar.
"Daqui a pouco levo vocês para comer *churrasco*. É uma especialidade da nossa Cidade Begônia."
A cada três ou cinco passos, havia uma churrascaria. À noite, quando todas as luzes das lojas se acendiam, Cidade Begônia mergulhava num oceano de luz, tornando-se especialmente bonita e animada.
"O que é *churrasco*?"
Alice e Ismael estavam muito curiosos. Ismael, diferente de quando chegou, que escondia sua curiosidade, agora aos poucos se abria e perguntava sobre o que não sabia.
Rosa explicou pacientemente: "*Churrasco* não é um tipo de panela, é uma especialidade daqui. Vocês nunca comeram *churrasco* em Cidade Perene?"
Ela olhou para aqueles dois, a senhorita e o jovem mestre.
"Se é alérgico a amendoim, pode tentar não comer, mas alergia a manga você pode experimentar. Se comer bastante, fica imune."
Rosa imaginou que fosse aquele tipo de reação que causa coceira e vermelhidão na boca.
Ela mesma costumava ser assim, mas não resistia ao sabor delicioso e, de tanto comer, a reação desapareceu.
Alice ficou muito animada e disse que poderia tentar. Ismael lançou-lhe um olhar que dizia "você está querendo morrer?".
Mais tarde, o dono da casa trouxe uma vitamina de manga com coco e inhame e um grande prato de laranjas fatiadas.
"É uma cortesia da casa, podem provar."
Ismael olhou para aquele prato enorme de "limões" amarelos e hesitou em pegar. Rosa o olhou, um pouco confusa: "Por que não come? É uma delícia."
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