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HERDEIRA LOUCA: MEU DINHEIRO, FORA VOCÊS! romance Capítulo 868

Não se sabia pelo que eles estavam brigando, mas aquele cachorro pulava de um lado para o outro: ora mordia o pé de Cláudio, ora corria para perto de Rosa e rolava no chão, e logo depois voltava a fazer escândalo aos pés de Julieta, pedindo colo.

"Eu só estava comentando, precisa ser tão agressivo assim? Não pode me dar uma chance?"

Cláudio guardava um ressentimento do começo ao fim.

Naquele primeiro momento em que viu Julieta, não sabia que ela era sua amiga de infância. Se soubesse disso na época, jamais teria dado uma chance para Hugo; teria simplesmente apagado o cara e levado a moça embora.

Agora, Julieta tinha se tornado o maior arrependimento de Cláudio. Quando os três se sentaram à mesa, Rosa não hesitou em dar um chute em Cláudio.

"O que foi?"

Cláudio quase pulou da cadeira. Rosa lançou um olhar para a garrafa térmica sobre a mesa.

"Abre logo e serve a sopa que está aí dentro."

Cláudio ficou sem jeito, justamente quando o Sr. Soares apareceu trazendo petiscos e, de quebra, trouxe também tigelas para a sopa.

Enquanto despejava a sopa, Cláudio murmurava baixinho, resmungando coisas ininteligíveis. Rosa revirou os olhos, impaciente, e então olhou para Julieta.

"Tia Julieta, não liga pra ele, ele é sempre assim. Se não tiver um surto de vez em quando, essa maluquice dele não sara nunca."

Cláudio, ainda despejando sopa, continuava a reclamar como se estivesse rezando.

Com Rosa e Julieta de olho nele, serviu uma tigela, pegou a colher e já ia levar à boca. O grito de Rosa quase fez o teto desabar.

"Cláudio, o que você está fazendo? Era pra servir a sopa pra tia Julieta, não pra você! Essa sopa é pra grávida, você ficou maluco?"

Julieta apertou a barriga, tentando conter o riso, enquanto Rosa parecia prestes a explodir.

Ela tentou puxar a orelha de Cláudio, que conseguiu escapar por pouco.

"Já entendi, já entendi, mulher insuportável. Será que você pode se comportar como uma mulher de verdade e parar de gritar?"

Cláudio, meio atordoado, empurrou a sopa para Julieta, mas Rosa foi mais rápida e pegou a tigela antes.

"Tia Julieta, deixa que eu tomo essa. Serve outra pra ela, Cláudio."

Cláudio olhou para Rosa com uma expressão de puro desagrado:

"Por que você pode tomar e eu não?"

Mas o mais valioso era o carinho envolvido; mesmo que não fosse gostosa, jamais reclamaria disso.

"De jeito nenhum! A sopa que sua mãe faz é maravilhosa."

Rosa, satisfeita com a resposta, empurrou a tigela que Cláudio havia servido para Julieta.

"Se gosta, então tome mais um pouco."

Depois, virou-se para Cláudio, fazendo voz manhosa:

"Tom, que tal a gente dividir essa tigela?"

O chamado carinhoso fez Cláudio se arrepiar inteiro. Olhou para Rosa como se ela fosse um bicho exótico.

"Agora quer dividir comigo? Não era você que não queria me deixar tomar? Tem certeza que não vai colocar veneno pra me matar?"

Rosa ficou à beira de explodir.

"Você acha mesmo? Se eu te envenenasse e você morresse, eu ia presa! E eu sou tão jovem... Quer me arrastar junto pro túmulo? A família Cardoso não é bem de vida aqui em Cidade Perene? Seu tio já fez seguro pra você? Se quiser que eu te mate, tudo bem. Mas só se a gente casar antes; assim, quando você morrer, eu fico com uma bela indenização."

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