Mas não tinha problema, Hugo não tinha lhe dado dinheiro, Vinicius tinha, e já que gastava o dinheiro dos outros, era preciso resolver os problemas por eles.
Depois de terminar o trabalho na empresa, Hugo lembrou-se de que Julieta já tinha recebido alta do hospital e, então, dirigiu de volta para casa.
Ao chegar em casa, encontrou apenas o Sr. Soares. As malas de Julieta estavam no quarto, mas ela não estava lá. Ao sair do quarto, ele perguntou:
"E a senhora?"
Sr. Soares respondeu: "A senhora não voltou, só a sobrinha dela trouxe as malas, deixou aqui e foi embora."
Já estava quase anoitecendo e Hugo ainda não tinha visto Julieta. Ligou para o telefone dela, mas percebeu que seu número havia sido bloqueado por Julieta, então não conseguiu. Restou-lhe procurar Rosa Luz.
Assim que Rosa viu a ligação do tio, atendeu imediatamente.
"Sua tia está com você? Hoje ela recebeu alta, está grávida, é melhor não ficar levando ela pra todo lado."
Hugo não conseguia se acalmar sem ver Julieta por perto.
Diziam que mulheres se tornavam ansiosas quando se apaixonavam, mas agora era Hugo quem sofria com a incerteza, temendo que, num piscar de olhos, Julieta desaparecesse.
"Tia ainda não voltou? Hoje eu quis vir com ela, mas quando estávamos indo embora, ela disse que queria passear no shopping e não deixou eu acompanhá-la.
A gente saiu do hospital às três da tarde, agora já são seis, três horas e ela ainda não voltou? Por que você não liga pra ela?"
Rosa disparou uma série de perguntas, quase fazendo os ouvidos de Hugo zumbirem.
"Sua tia me bloqueou."
Se ela atendesse sua ligação, ele não precisaria pedir ajuda de Rosa. O silêncio se fez do outro lado.
Depois de enviar a mensagem, Hugo ligou para Júlia. Desta vez, ela atendeu imediatamente, rindo alto do outro lado da linha.
"Diretor Luz, deve estar bastante ocupado, né? Liguei pra você e não atendeu, achei que não ia me responder mais. Que honra ouvir sua voz."
"Júlia, não machuque minha esposa. Diga o que você quer, se eu puder, eu faço."
Júlia fez um estalo de desdém antes de responder: "Dinheiro, claro. Vocês homens são tão previsíveis... 500 mil. Hugo, você me acha uma mendiga? Fiz tanto por você, já pensou no que eu sinto?"
"Tudo bem, você quer dinheiro, eu dou agora mesmo. Mas solte ela. Minha esposa está grávida de gêmeos. Se algo acontecer com eles, você não vai sair de Cidade Begônia."
Júlia riu ainda mais.
"Hugo, ouve o que você diz. Sua esposa está grávida, e daí? Você ama tanto ela, seus filhos são importantes, e o meu não? Mesmo que o filho seja do Vinicius, ainda é uma vida. Como você pôde me deixar sozinha no hospital e ir embora? Esqueceu como era quando precisava de mim?"

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