Cláudio, ansioso e aflito, foi ver Julieta e só então soube que ela quase perdera o bebê. No íntimo, não pôde evitar xingar Hugo mentalmente.
Contudo, não chegou a repreendê-lo na frente de Julieta, com receio de deixá-la chateada.
Rosa e Cláudio, sempre que se encontravam, acabavam discutindo, e ver os dois trocando farpas era justamente o que fazia Julieta se sentir um pouco melhor.
Júlia passou um tempo internada no hospital. Não sabia se era impressão sua, mas teve a sensação de ter visto Julieta por lá.
Durante aquele período, ela não teve energia para se preocupar com outras coisas.
Mas ficou mais atenta. Quando saiu do quarto, guiada pela memória, procurou o local onde vira Julieta entrando numa suíte vip e, disfarçadamente, foi espiar.
De fato, ouviu a voz de Julieta vinda de dentro. Teve coragem apenas de espiar pela fresta da porta. Ao confirmar que Julieta estava machucada, afastou-se rapidamente.
Depois, gastou algum dinheiro para sondar por informações sobre Julieta. Até que ouviu a notícia dos gêmeos de Julieta.
"A senhora está falando da Sra. Luz, não é? Ela tem uma sorte danada. O Sr. Luz aparece aqui quase todos os dias, e sempre traz um buquê de flores para ela.
Flores diferentes a cada dia. Quando vamos trocar a água dos vasos, dá até dó. As flores do dia anterior ainda estão fresquinhas, mas já vão para o lixo.
Mas a Sra. Luz é muito gentil, ela também não gosta de desperdiçar. Sempre que vamos trocar a água, ela pede para levarmos as flores do dia anterior para casa.
O Sr. Luz costuma mandar para ela principalmente rosas que mudam de cor, típicas da Região Metropolitana. Tem cheiro de dinheiro, são lindas, realmente impressionantes."
A jovem enfermeira, empolgada, não percebeu o semblante sombrio e o olhar assassino de Júlia. Continuou contando as curiosidades sobre o casal Luz, cheia de entusiasmo.
No olhar dela, havia uma esperança de um dia encontrar alguém como Hugo.
Júlia, sem pensar, ofereceu-lhe um envelope com mil reais. A enfermeira corou imediatamente.
"O hospital não permite que eu aceite isso."
Acreditando em Júlia, a enfermeira ficou ainda mais animada quando ela prometeu: "Claro, vou te dar um par romântico rico e bonito, que se apaixone por essa enfermeira simpática."
A jovem ficou ainda mais vermelha, e, envergonhada, disse: "Então não vou atrapalhar mais, Srta. Vargas, vou voltar ao trabalho. Se eu ouvir alguma coisa útil para sua inspiração, venho correndo te contar."
Depois de aplicar o soro em Júlia, a enfermeira recolheu o material médico e saiu, com um sorriso bajulador no rosto.
Assim que a enfermeira saiu, o semblante de Júlia mudou completamente. Hugo visitava Julieta todos os dias, mas desde a última vez que viera ao seu quarto, nunca mais aparecera, e ainda mandara suas malas para lá, deixando claro que queria expulsá-la dali.
O cheque de quinhentos mil reais ainda estava guardado em sua bolsa. Era tudo o que recebera de Hugo depois de tanto tempo juntos, e aquilo era tudo o que ele achava que ela merecia?
Mesmo para um mendigo, isso era pouco. Mas para resolver o que ela queria, quinhentos mil não era um valor tão grande assim.
Esses dias, Júlia só pensava em investigar a vida de Julieta. Cada notícia que a enfermeira trazia era suficiente para tirá-la do sério, mas ela não tinha outra saída a não ser ouvir.

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