Ele só queria ter uma família feliz, um futuro cheio de felicidade.
Julieta puxou a mão de volta e virou o rosto, sem querer olhar para ele.
"Hugo, eu não quero mais te ver. Vá embora, nosso casamento termina aqui, não precisa fazer mais nada no final do ano, eu mesma vou falar com a minha mãe.
Os dois filhos eu vou levar para serem criados na Família Reis. Você realmente não merece ser pai deles, no futuro eles vão acabar se tornando pessoas baixas e sem caráter, igual a você. Eu não quero que meus filhos tenham um pai assim."
Julieta estava profundamente triste.
Hugo, por outro lado, não insistiu. Já que ela não queria se acalmar, ele resolveu dar-lhe tempo. Também falou com Rosa, pedindo que ela viesse cuidar de Julieta.
Contanto que Julieta estivesse bem, e as crianças também, ele ficava tranquilo. Ainda havia assuntos da empresa para resolver.
Quando terminasse tudo o que estava fazendo, no final do ano celebraria o casamento com Julieta e poderia voltar com ela para Cidade Perene sem preocupações.
A partir de então, as coisas em Cidade Begônia não teriam mais nada a ver com ele.
O celular de Hugo tocou nesse momento. Julieta reconheceu o toque familiar e, sem saber por quê, sentiu o coração apertar, pois imediatamente pensou em Júlia.
Hugo atendeu o telefone na frente de Julieta, colocando no viva-voz.
"Diretor Luz, a polícia de trânsito encontrou seu carro batido lá na Avenida Ipiranga. As câmeras mostram que era uma mulher dirigindo, mas depois ninguém sabe para onde ela foi, o carro foi deixado na rua."
Julieta ficou atenta para ouvir.
Mulher dirigindo, além de Júlia, não havia outra possibilidade.
Hugo lembrou que a empregada ligou para ele hoje, certamente Júlia pegou o carro e dirigiu embriagada.
"Tudo bem, peça para eles rebocarem o carro agora, eu vou lá resolver."
Hugo desligou o telefone e olhou para Julieta, que claramente já não queria mais falar com ele.
Ainda assim, Hugo continuou conversando com ela.
"Vou lá agora ver o que aconteceu, descanse um pouco, Rosa já está vindo para ficar com você, qualquer coisa vocês podem conversar.
Ela, é claro, não falou sobre a discussão que tiveram, nem contou o que Vinícius lhe dissera.
No fundo, Julieta ainda confiava em Hugo, pois, refletindo sobre o que Rosa lhe dissera, se Júlia realmente tivesse uma reputação tão ruim no meio social, Hugo jamais teria algo com ela.
Pelas fotos que Júlia enviava, eram só imagens de encontros e jantares com Hugo. Ora, se uma mulher quer provocar outra, só mandar fotos de encontros parece educado demais, não?
Ela nunca viu Júlia lhe mandar nada impróprio, então, pelo jeito de ser de Júlia, isso era impossível.
Por isso, Julieta concluiu que o que Júlia mostrava para ela era só aparência, enquanto o que Hugo dizia poderia ser verdade.
Olhando para Rosa, Julieta não resistiu e perguntou:
"Você conhece um tal de Vinícius?"
Rosa olhou para Julieta, surpresa.
"Tia, você também conhece eles? Ele é o maior rival comercial do tio, está sempre tentando prejudicá-lo. E ainda por cima, a família dele tem muito poder em Cidade Sol, quase ninguém consegue ameaçar a posição deles aqui em Cidade Begônia."

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