— Ouvindo você falar assim, até me deu vontade de serrar esta perna logo de uma vez e ser deficiente para o resto da vida. — Rogério Costa riu.
Serena Luz deu um pequeno suspiro desdenhoso.
— Agora você sabe que a posição de Felipe Costa não é fácil de ocupar?
— Eu já sabia disso, e há muito tempo queria devolvê-la a ele.
— Tarde demais.
Rogério suspirou profundamente.
— Eu já imaginei mais de uma vez que, se não tivesse trabalho, teria mais tempo para ficar com a minha esposa e os meus filhos, e ainda teria tempo para escalar. Quão feliz eu seria. Mas o trabalho estrangulou a minha vida, e fui eu mesmo quem me entregou para ser estrangulado. Ah, como me arrependo.
— Você não gostava de beber, de mulheres e de jogar pôquer? Desde quando gosta de escalar?
— Eu sempre gostei. O seu marido não te contou?
Serena balançou a cabeça.
— Ele só disse que você já foi um caso perdido.
Rogério torceu os lábios.
— Eu gosto de escalar, mas depois que caí de uma parede de rocha uma vez, o meu avô me proibiu. Para passar o tempo entediante, só me restava beber, sair com mulheres e jogar.
— O Sr. Fernando não deveria tê-lo impedido.
— Você também acha que eu levo jeito para a escalada?
— Você leva jeito para procurar a morte.
Rogério revirou os olhos.
— Não dá para conversar com vocês.
As três crianças estavam debruçadas na cama de hospital, conversando com grande concentração. Serena tirou algumas fotos de Rogério e de Grace e as enviou para Patrícia Correia.
— Pode esperar até Patrícia voltar, ela certamente não vai perdoá-lo.
Rogério imediatamente pareceu um pouco culpado.
— Eu prometo que na próxima vez não levo a Grace para as montanhas.
Enquanto falavam sobre isso, uma mulher de cabelo curto, vestindo uma regata branca e calças cargo pretas, entrou. Ela era alta, tinha a pele bronzeada e músculos definidos; parecia, à primeira vista, alguém que adorava estar ao ar livre.
Ela entrou direto no quarto, caminhou até a cama de Rogério, primeiro deu uma olhada em tudo e, finalmente, fixou o olhar na perna dele.
— Ficou aleijado?
Rogério torceu os lábios.
— Não jogue praga, é apenas um pequeno ferimento, vou me recuperar em alguns dias.
— Isso é realmente uma sorte, senão eu teria perdido um bom parceiro.
— Eu deveria ter sido muito mais cuidadoso. Me arrependo amargamente de ter perdido uma rota tão bonita.
— Na próxima vez, eu levarei você para escalar lá especialmente.
— Combinado!
— Combinado, mas primeiro você precisa se recuperar.
Vilma parecia ter uma personalidade muito franca. Depois de conversar um pouco com Rogério, ela foi ver Grace.
— Olá, tia Vilma. — Grace cumprimentou educadamente.
— Pequena princesa Grace, ouvi dizer que você machucou o braço, mas foi muito corajosa e só chorou um pouquinho, não foi?
Grace assentiu.
— Na verdade, nem doeu tanto!
— Grace é tão forte. Na próxima vez, a tia te ensina a escalar, o que acha?
— Sim!
Depois de conversar algumas palavras com Grace, Vilma já se preparava para sair.
— Vocês continuem a conversa. Tenho um jantar hoje à noite e preciso chegar cedo.

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