A senhoria segurava um martelo nas mãos e, ao vê-los parados atrás do muro, não demonstrou a menor culpa.
— Vocês podem continuar erguendo o muro, vamos ver se constroem mais rápido do que eu quebro! Humpf!
Serena Luz ficou momentaneamente sem saber o que dizer, sentindo-se de mãos atadas diante da senhoria.
Gabriel inclinou a cabeça e olhou para ela. — Vovó gordinha, por que você está quebrando o muro da minha casa?
A dona do imóvel, ao ver Gabriel, sentiu-se um pouco desconfortável.
— Por que a família de vocês veio para cá? Deveriam estar morando lá na cidade de vocês!
— Mas aqui também é nossa casa, e eu também sentiria saudades de vocês!
A dona do imóvel ficou ainda mais constrangida. Sem dizer mais nada, segurou o martelo e foi embora primeiro.
Serena olhou impotente para Felipe Costa, enquanto Felipe observava a pilha de tijolos no chão, parecendo refletir sobre algo.
— Caiu tão facilmente. Será que foi porque não fiz um bom alicerce?
— Papai, espera que eu vou pesquisar. — Adolfo tirou novamente seu notebook.
— Não precisa pesquisar. — Felipe não queria ouvir a experiência de outras pessoas. — Isso é realmente um trabalho técnico, eu preciso estudar isso com calma.
O canto da boca de Serena se contraiu. Se ele queria estudar o assunto, que estudasse; sempre era melhor do que passar os dias sem fazer nada e pensando bobagens.
À noite, Serena foi ao quarto de Gabriel, e Adolfo também estava lá. Após serem assustados duas vezes pela dona do imóvel anteriormente, embora soubessem que não era real, as duas crianças ainda sentiam um pouco de medo e decidiram dormir no mesmo quarto.
Quando ela entrou, Gabriel estava de bruços na cama, em uma chamada de vídeo com Grace.
O lado de Grace estava um pouco escuro e, olhando bem, percebia-se que ela estava dentro de um carro.
— Grace, sentiu falta da Serena? — perguntou Serena, inclinando-se para perto da tela.
Ao vê-la, o rosto de Grace se iluminou com um sorriso. — Serena, eu estava com tanta saudade! Queria muito voltar com vocês!
Serena sorriu. — Na próxima vez, levamos você junto. Mas por que você ainda está no carro?
— Passear, ué. Por acaso eu preciso relatar a você o que vamos fazer?
Serena realmente não conseguiu mais se segurar. — Aonde o senhor vai e o que vai fazer, eu não ouso interferir, mas se está levando a Grace, precisa ter o consentimento de Patrícia Correia!
— Ela já consentiu.
Já que Patrícia havia concordado, então não deveria haver problemas. No entanto, Serena não pôde deixar de dar algumas recomendações. Indo para um lugar tão distante, Grace poderia não se adaptar bem ao clima e à água da região, então Rogério precisava ficar atento a isso. Além disso, na hora de escalar, não deveriam escolher montanhas muito perigosas e, principalmente, Grace precisava de alguém cuidando dela exclusivamente.
— Eu já sei de tudo isso, você se preocupa demais.
— Mas é apenas o final de semana, sábado e domingo. O cronograma de vocês está muito apertado.
— Estamos a caminho do aeroporto agora. Quando embarcarmos, chegaremos lá por volta das duas da madrugada e retornaremos na tarde de depois de amanhã. Além disso, há várias pessoas no nosso grupo que vão ajudar a cuidar da Grace.
Ao ouvir que Felipe havia feito os arranjos, Serena finalmente se tranquilizou.
Gabriel continuou conversando com Grace. Serena aconselhou que ele fosse dormir cedo e lembrou a Adolfo para não ler até muito tarde, antes de finalmente voltar para o seu quarto.

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