— Parece uma universidade, o que tem?
— É a Universidade Lumia.
Roberto franziu a testa.
— E o que tem a Universidade Lumia?
— Toque o seu coração e pergunte a ele. Ele lhe dirá que gostava muito de lá.
Roberto levou a mão ao peito inconscientemente. Ele não sabia se o coração gostava ou não, mas, ao sentir as suas batidas, retirou a mão apressadamente, como se tivesse tocado em algo escaldante.
Ele não conseguia encontrar paz para sentir o bater daquele coração, pois cada pulsação era um lembrete escancarado de seu próprio pecado.
— Alfredo, você sabe quem é, o dono do coração que está no seu corpo. Em vida, ele era um estudante do terceiro ano daquela universidade. Ele adorava andar de skate pelo campus, gostava de cantar, dançar e de fazer amigos. Ele sorria com facilidade, era muito leal, uma pessoa verdadeiramente boa. Só não era muito bom nos estudos, o que dava dor de cabeça aos professores.
Serena apresentava Alfredo a Roberto. Ela tentava usar um tom leve, mas o seu coração pesava profundamente.
Ouvindo as palavras de Serena, o rosto de Roberto ficou cada vez mais pálido. Ele nunca tivera coragem de imaginar que tipo de pessoa era o dono daquele coração ou que tipo de vida levava. Ele tinha pavor de saber, embora sentisse uma curiosidade incontrolável.
Era como se houvesse outra pessoa habitando o seu corpo, pulsando dentro dele, estando com ele a cada segundo. Como ele poderia não ter curiosidade sobre essa pessoa?
Mas, essa pessoa havia sido morta por causa dele.
Roberto balançou a cabeça.
— Eu não quero ouvir você falar dele, eu não quero saber de nada sobre ele!
— Ele deve querer muito voltar à universidade para dar uma olhada.
— Eu já disse que não quero ouvir.
— Talvez você pudesse levá-lo para dar uma olhada!
Serena afastou Ivana e puxou Roberto consigo. Ela se aproximou de Felipe e lhe fez um aceno de cabeça.
Felipe olhou para Roberto.
— Se você realmente sente um pingo de remorso em relação a Alfredo, então nos diga onde o seu pai está escondido. Ele precisa enfrentar a justiça!
— Roberto, lembre-se, o nosso pai já está morto! Ele morreu há seis anos! — Ivana gritou para Roberto.
Roberto exibiu uma expressão de conflito, algo que não havia demonstrado nem mesmo quando decidiu pular no rio.
— Meu pai, meu pai morreu há seis anos... — Ele murmurou com a voz baixa.
Felipe deu um riso frio.
— Parece que você não sente nenhum remorso por Alfredo. Então pare de fingir que sente. Você me enoja mais do que eles!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Feliz Aniversário, Meu Amor de Mentira