Patrícia ligou para Serena e, ao relatar o incidente de Rogério do início ao fim, também organizou os fatos em sua própria mente. Foi então que percebeu que tudo era coincidência demais.
E se alguém tivesse armado para Rogério?
O primeiro nome que lhe veio à mente foi Bryan.
E na manhã seguinte, bem cedo, Bryan apareceu novamente.
— Hoje é sábado, quero levar você e a Grace para passear nas montanhas. Você deve ter tempo, não é?
Vendo a atitude tranquila dele, Patrícia começou a duvidar se não estava pensando demais.
— A prisão do Rogério... foi você quem armou para ele? — perguntou Patrícia diretamente.
Bryan não se surpreendeu e até sorriu levemente.
— Não diria que foi uma armação.
— Então foi você!
— Eu disse que sou muito próximo do chefe da Organização L&D. Ele foi atacado, então naturalmente fui verificar, e acabei descobrindo a relação daquela mulher com o Rogério. Eu até pedi para ele não dificultar as coisas para aquela mulher, mas ele disse que não podia deixar barato, então fez a mulher ligar para o Rogério. Rogério poderia não ter ido, mas a relação dele com a mulher parecia ser bem íntima. Ele sabia que era uma armadilha e foi mesmo assim. Eu também fiquei com medo de que ele se perdesse no caminho errado, então, pensando bem, achei que chamar a polícia seria o mais sensato.
Ao dizer isso, Bryan deu de ombros.
— Não sinto que armei para prejudicá-lo, mas sim que o estou salvando.
Patrícia rangeu os dentes.
— Bryan, nós dois já estamos quites. Por que você ainda não nos deixa em paz?
Bryan suspirou.
— Eu disse que nos separamos por causa de um mal-entendido. Claro, você já se casou, eu deveria te parabenizar, mas o homem com quem você se casou é o Rogério. Eu sei melhor do que você que tipo de pessoa ele é, então como posso ficar tranquilo? Desta vez, eu também quis fazer você enxergar claramente qual é a verdadeira índole dele!
— Eu não acredito em uma só palavra do que você diz agora!
Bryan semicerrou os olhos.
— Então você deveria pesquisar qual é a pena para o crime de organização de orgia.
Patrícia estava furiosa e levantou a mão para dar um tapa em Bryan, mas ele segurou seu pulso.
— Você deveria ir acordar a Grace. Temos que ir cedo para a serra, assim poderemos descer cedo. Você não quer passar a noite na montanha comigo, quer? — Bryan olhou para ela com um sorriso gentil nos olhos, e seu tom era tão suave que parecia estar dizendo palavras de amor, e não uma ameaça.
Patrícia rangeu os dentes de raiva, mas pensando que Bryan havia armado para Rogério por causa dela, sentiu-se culpada em relação ao marido. Naquele momento, só lhe restava concordar com Bryan.
Nos dois primeiros anos de casados, só porque ela disse que gostava da vida nas montanhas, Bryan comprou uma montanha e construiu uma casa no topo. Naquela época, eles iam muito para lá, e aquela casa guardava muitas de suas memórias felizes.
Mas depois de tantos anos, ela pensou que a casa estaria abandonada. No entanto, para sua surpresa, ela continuava exatamente como há sete ou oito anos; a decoração lá dentro não havia mudado nada.

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