— Eu... eu não sei do que você está falando.
— Tsk, tsk, deve estar doendo muito. — Serena balançou a cabeça com um sorriso sarcástico.
Após dizer isso, Serena se virou e apoiou a cabeça no ombro de Felipe, que naturalmente envolveu a cintura dela com o braço.
— Qual é a dessa mulher? — ela perguntou em voz baixa.
— Eu também não sei qual é a dessa mulher. — respondeu Felipe.
— Como você pode não saber?
— Eu realmente não sei.
Serena, irritada, beliscou o braço de Felipe. Ele estava falando por enigmas com ela!
Felipe riu.
— Ela é irmã do Roberto Pereira.
— Roberto?
Felipe apontou para uma ponte de pedra ao longe. Serena olhou e viu um rapaz de corpo franzino parado na extremidade da ponte. Ela imediatamente se lembrou do dia em que um garoto correu para a estrada e ela quase o atropelou; era ele.
— Quem tem jogado comigo ultimamente é ele.
Serena olhou para o rapaz. Ele usava jeans e uma camisa branca. Talvez por ser muito magro, o vento do mar parecia deixá-lo instável, mas ele continuava ali, obstinado, e seu corpo começou a se inclinar para frente...
— Ah não, ele vai pular no mar! — gritou Serena.
Felipe parou por um instante, olhou com atenção para o rapaz e viu que ele realmente já tinha colocado um pé para fora. Franziu a testa bruscamente e correu a passos largos naquela direção.
A irmã do rapaz, Ivana Pereira, também percebeu a atitude estranha do irmão e correu desesperada.
Serena achou tudo aquilo muito estranho, mas também correu atrás.
Serena caminhou até ele e seguiu seu olhar, vendo que a camisa do rapaz havia se levantado, revelando uma cicatriz no peito. Provavelmente resultado de uma cirurgia torácica.
Ivana chegou correndo, tropeçando, e desabou sentada ao lado do irmão. Ela passou da preocupação para o alívio, depois para a raiva e, finalmente, desmoronou, socando o rapaz.
— Por que você faz isso? Por que insiste em querer morrer?
— Você não sabe o que fizemos para te salvar? O preço que pagamos para te salvar?
— Roberto, você quer me matar de desgosto?!
Diante dos golpes e do choro da irmã, o rapaz permaneceu indiferente como sempre. Ele sequer olhou para ela; em vez disso, virou a cabeça para o outro lado, continuando a olhar para o mar revolto, capaz de engolir uma pessoa a qualquer momento.
Ele continuava ansiando pelo mar que poderia facilmente tirar sua vida. Se ninguém o impedisse, Serena acreditava que ele pularia uma segunda vez.
Aquele rapaz não tinha nenhum medo da morte. Nenhum.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Feliz Aniversário, Meu Amor de Mentira