Patrícia e Grace só voltaram para casa depois do jantar. Rogério ainda não havia retornado.
Patrícia acompanhou Grace enquanto ela fazia a lição de casa por um tempo e depois foi colocá-la para dormir.
— O Sr. Costa sempre conta histórias para mim à noite.
Patrícia teve um leve espasmo no canto da boca.
— Antes ele não contava e você dormia mesmo assim.
— Mas o Sr. Costa disse que as princesas só dormem depois de ouvir uma história.
— Bobagem.
— Mamãe, eu realmente não estou com sono.
Sem saída, Patrícia pegou um livro de contos de fadas na estante. Mal tinha lido a primeira frase, Grace interrompeu dizendo que não era aquilo.
— Isso é para criancinhas. Eu não sou mais criancinha.
Patrícia ergueu uma sobrancelha.
— Então, o que você gosta de ouvir?
— O Sr. Costa me conta sobre quando ele brigava com gangues locais no exterior. Ele é muito forte, lutava um contra dez. Tirando uma vez que levou uma facada, nunca se machucou.
Patrícia trincou os dentes. Aquele canalha estava contando essas coisas para a Grace.
— Ontem à noite, o Sr. Costa contou que ele e uns amigos foram quebrar um cassino. Foi emocionante. Ele prometeu continuar contando hoje à noite.
Patrícia fechou o livro de contos com força e bufou.
— Hora de dormir!
Grace rolou na cama por um bom tempo, mas acabou adormecendo.
Patrícia olhou para o relógio; já passava das onze e certa pessoa ainda não tinha voltado. Ela conteve a raiva e deitou-se na beirada da cama. Estava quase pegando no sono quando ouviu a porta se abrir.
Seguiram-se passos, cada vez mais próximos, até que a porta do quarto foi empurrada.
Uma sombra escura flutuou até a cama, parou por um momento e depois se curvou em sua direção, trazendo consigo um forte cheiro de álcool.
— O que você está fazendo? — Patrícia questionou friamente.
Rogério fez um bico de desdém.
— Você não dormiu?
— Sai daqui!
Rogério tentou falar, mas soltou um soluço de bêbado antes.
— Eu queria ver a Grace.
— Patrícia, que merda, se você não deixa eu te tocar, por que se importa com o que eu faço?
— Quando foi que eu me importei com você?
— Não foi você que mandou eu tomar banho agora há pouco?
— Eu só achei que você estava sujo!
— Você não liga para mim, né? Então eu vou sair agora mesmo para procurar mulher!
— Fique à vontade!
A raiva de Rogério aumentou. Ele se levantou bruscamente, encarou Patrícia e, vendo que ela mantinha uma atitude de total indiferença, saiu rangendo os dentes.
Com o som da porta batendo, Patrícia também rangeu os dentes de raiva.
Rogério não voltou naquela noite, nem no dia seguinte. Quando a noite chegou novamente, a equipe de filmagem começou a pressionar Patrícia para retornar.
Sem opção, Patrícia ligou para Rogério. Quem atendeu foi a mulher.
— Vou te mandar a localização. Se tiver coragem, venha até aqui.
A mulher usou o celular de Rogério para enviar a localização. Era em um condomínio na Cidade Velha.
Patrícia achou que fosse a casa da mulher, então pegou Grace e um táxi e foi até lá. O condomínio era aberto, o táxi podia entrar direto. Havia muitos prédios, o caminho era confuso e, o mais importante, não havia quase ninguém na rua.

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