A menina era compreensiva demais. Patrícia garantiu novamente que tiraria um tempo para ficar com ela.
— A propósito, o Sr. Costa ainda está no hospital? Combinei com o motorista para ir visitá-lo neste sábado.
Ao mencionar Rogério, Patrícia teve vontade de suspirar.
Antes, vendo Rogério sempre com aquele jeito despreocupado, mulherengo e brigão, ela achava que ele era no máximo isso. Nunca imaginou que ele seria capaz de matar.
Mas ela ainda queria acreditar que a natureza dele não era essa. Ele havia ajudado mãe e filha muitas vezes; no fundo do coração dele, certamente havia bondade e justiça.
Serena pediu a Adolfo que levasse Grace e Gabriel para cima para fazerem a lição de casa e instruiu que ele cuidasse dos dois.
Quando as crianças subiram, Patrícia finalmente demonstrou sua preocupação.
— Você acha que o Rogério já não...
Serena balançou a cabeça.
— Não sei, mas espero que ele ainda tenha um pingo de razão.
— Eu deveria ter percebido a estranheza dele antes.
— Mesmo que percebesse, você não conseguiria impedi-lo. Ninguém conseguiria, a menos que o mandassem para o exterior e o trancassem, como fizeram antes.
— Mas ele é uma pessoa, não um cachorro ou um gato.
Enquanto a ansiedade de Patrícia aumentava, Felipe finalmente desceu as escadas.
— Encontrei o Rogério. Ele está num galpão abandonado na periferia.
Ao ouvir isso, Serena e Patrícia se levantaram ao mesmo tempo.
— Você vai procurá-lo agora? Eu quero ir junto! — disse Patrícia.
Felipe ficou em silêncio por um momento.
— Que seja.
— Não me chame de boca de tramela!
— Você é!
As duas crianças começaram a brigar novamente. Serena e Felipe não podiam se preocupar com eles; deixaram a babá encarregada e saíram às pressas.
O local ficava numa aldeia em ruínas na periferia da cidade. Devido ao planejamento do governo, a área estava destinada à demolição e os moradores já haviam se mudado, mas o plano de demolição nunca saía do papel, tornando o lugar uma vila fantasma.
Não havia ninguém por perto, e eles demoraram a encontrar o galpão abandonado.
Era possível ver um pouco de luz pela janela e, assim que chegaram à porta, ouviram uivos.
— Felipe, avô Costa, eu me ajoelho para vocês! Poupem a minha vida!
Rogério devia ter feito algo com a pessoa lá dentro, pois ouviram-se gritos de dor novamente.
— Socorro! Aaaah! Socorro! Assassino!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Feliz Aniversário, Meu Amor de Mentira